I admit that the title of this text may be a bit exaggerated for some, but when you're dealing with a ruthless teacher whom everyone in the class was afraid of, believe me, traumas are truly generated. That was my high school Portuguese teacher.
That guy definitely had some psychological issues, at least some degree of psychopathy, judging by the way he assigned assignments, quizzes, and tests. He always provoked tension in his classes, and if by any chance he was kind to someone, you could expect a betrayal at any moment. The truth is, it was common for him to bring tears to some people due to his teaching methodology based on the emotional destruction of his students. I was no exception—I've cried because of him, but at least I had the dignity not to let him or anyone else see it.
This teacher had a short and easy-to-pronounce nickname, but I won't use that nickname here because just thinking about it gives me chills. For that reason, let's call him Niko. Well, as you may have already noticed, Niko was detestable. It was very common for him to give impromptu tests that carried a high weight in our grades. Niko taught Portuguese language and mainly focused on grammar, and I don't know if you know, but Portuguese grammar is quite difficult, even for Brazilians. It's no wonder that Portuguese is one of the most challenging languages to learn in the whole world.
In some of these tests, Niko allowed us to use a small reference booklet. It was a booklet that he forced us to bring to all of his classes, and if someone forgot to bring it, that person automatically lost 2 points. He made sure that we sat in a U-shaped formation and went from table to table checking who had brought the booklet. He did this in every class, and we had to remain in absolute silence while he did it—it was a terrible tension.
But, there was one time that was truly a day I think I'll never forget. Niko announced that we would have another one of his terrible impromptu tests, and before starting, he went around to each student to see who had brought the cursed booklet. However, since we sat in a U-shaped formation, while he was passing by one side and had his back turned to the other, those who hadn't brought the booklet and were sitting on the other side would quickly run towards those who had already shown it to him. All of this in absolute silence because if he turned around and saw someone grabbing the paper, it meant suspension for sure.
To this day, I wonder how my classmates managed to pull it off. There were three or four classmates who hadn't brought the booklet, and they swiftly ran like ninjas behind Niko, grabbing it from the other side! The desire to laugh was overwhelming, but the fear of suspension was greater. That's why while we watched our classmates do that, we stayed silent and pretended like nothing was happening.
Nowadays, I'm someone who is afraid to express my opinions about certain things in public. Even though I communicate well, I feel insecure and worry that people will find me ridiculous. I work in marketing and don't make as much money because I don't like to expose myself, and I'm absolutely certain that I feel this way due to the traumas caused by Niko. He enjoyed exposing those who didn't get good grades, making faces and gestures to imitate how stupid a student was for not getting something right. Unfortunately, I fell victim to that. And I haven't forgotten it to this day. Well, traumas... We have to overcome them, right? But it's not always easy. I truly don't remember other teachers who gave surprise tests, and I don't know if I don't remember because it didn't happen or because Niko's tests were traumatizing enough and overshadowed other experiences. What I do know is that wherever Niko is, I hope he is well and has become a better person. It's such a terrible thing to negatively mark someone's life, isn't it?
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Portuguese
Tenha um teste surpresa e ganhe um trauma.
Admito que o título desse texto pode ser um tanto exagerado para alguns, mas quando você está lidando com um professor carrasco do qual todos na sala tinham medo, acredite, traumas são realmente gerados. Esse foi o meu professor de português do ensino médio.
Aquele cara com certeza tinha algo problema psicológico, pelo menos algum grau de psicopatia ele deveria ter pela forma que aplicava trabalhos, provas, e testes. Ele sempre provocava tensão em suas aulas, e se por algum acaso fosse gentil com alguém, você poderia esperar uma rasteira a qualquer momento. A verdade, é que era comum ele arrancar lágrimas de algumas pessoas devido a sua metologia de ensino baseada na destruição emocional de seus alunos, comigo não foi diferente, já cheguei a chorar por causa dele, mas ao menos me dei a dignidade de não deixa-lo ver e nem ninguém.
Esse professor tinha um apelídeo curto e fácil de se pronunciar, mas não vou utilizar esse apelido aqui pois só de pensar nele, me dá arrepios, por esse motivo, vamos chama-lo de Niko. Bem, como vocês já devem ter percebido, Niko era detestável. Era muito comum que ele aplicasse testes surpresa que valiam notas altíssimas. Niko era professor de lingua portuguesa e ensinava principalmente gramática, e eu não sei e vocês sabem, mas a gramática da língua portuguesa é bem difícil mesmo pra quem é brasileiro. Não é a toa que português é uma das línguas mais difíceis de se aprender no mundo inteiro.
Em alguns desses testes surpresas que acontecia, Niko deixava que usássemos uma pequena apostilha de consulta. Era uma apostila que ele nos forçava levar em todas as suas aulas, e se alguém esquecesse de levar, essa pessoa perdia automaticamente 2 pontos. Ele fazia questão de que nos sentássemos em formato de U, e ia passando de mesa em mesa conferindo quem tinha trazido a apostila. Em todas as suas aulas ele fazia isso, e nós tinhamos que permanecer em silêncio absoluto enquanto ele fazia, era uma tensão terrível.
Mas teve uma vez, que foi realmente um dia que acho que nunca irei me esquecer. Niko informou que teriamos mais um dos seus terríveis testes surpesa, e antes de começar, passou por cada um para ver quem tinha trazido a maldita apostila, só que como nos sentávamos em forma de U, enquanto ele ia passando de um lado e ficava de costas para o outro, quem não tinha trazido a apostila e tava sentado do outro lado, corria em diração a quem já tinha mostrado a apostila pra ele. Tudo isso em um silêncio absoluto, porque se ele se virasse e visse a pessoa pegando o papel, era suspensão na certa.
Até hoje eu me pergunto como meus colegas conseguiram fazer aquilo. Foram três ou quatro colegas que não tinham trazido apostila, e correram rapidamente como ninjas por de trás de Niko, pegando-a do outro lado! A vontade de rir era enorme, mas o medo de suspensão era maior. Por isso enquanto viamos nossos colegas fazerem isso, ficavamos em silêncio e faziamos de conta que nada estava acontecendo.
Hoje em dia eu sou uma pessoa que tem medo de demonstrar minhas opniões sobre certas coisas em público. Por mais que eu me comunique bem, me sinto insegura, fico achando que vão me achar ridicula. Eu trabalho com marketing e não ganho mais dinheiro porque não gosto de me expor, e eu tenho absoluta certeza que me sinto assim também por traumas causados por Niko. Pois ele gostava de expor aqueles que não tiravam notas boas, ele fazia caras e bocas pra imitar o quanto um aluno era burro por não ter acertado algo. Infelizmente, eu fui vitima disso. E até hoje não esqueci. Enfim, traumas… Temos que superá-los certo? Mas, nem sempre é fácil. Eu realmente não me lembro de outros professores que aplicaram testes surpresa, e não sei se não lembro porque não aconteceu, ou porque os testes de Niko eram traumatizantes o suficientes e por isso acabaram ofuscando outras experiências. O que sei, é que onde quer que Niko esteja, eu espero que ele esteja bem e que seja uma pessoa melhor. Que coisa ruim marcar a vida de alguém negativamente, né?