Publicado en Español, Inglés y Portugués.
Editado en PhotoCollage El titulo responde a una cita de la canción "El Necio" de Silvio Rodríguez.
La dignidad no se negocia y eso no tiene discusión. Denuncio a viva voz día a día algo que no entiendo y es que a ciertos proyectos políticos (especialmente los de izquierda latinoamericana) se les exija doblegarse, fracasar o ser etiquetados como «fracasos totales» sin mirar el contexto de bloqueo, injerencia o golpes suaves o duros.
No, no es un fracaso total cuando una corriente nace como respuesta a décadas de exclusión, dictaduras apoyadas por EE.UU. o modelos neoliberales que dejaron pueblos en la miseria. Nacen de una necesidad real. Otra cosa es que, una vez en el poder, algunos de esos proyectos hayan cometido errores, autoritarismos o corrupción, como también los ha cometido la derecha, pero sin que se le llame «fracaso total del capitalismo».
La posición histórica de la derecha (local e internacional) ante esos liderazgos ha sido, con frecuencia, el derrocamiento, la desestabilización o la demonización mediática. No siempre por defensa de la democracia, porque es pocas veces por eso, la mayoría de las ocasiones para no ser absoluta y decir que todas es por intereses económicos y geopolíticos. EE.UU. ha intervenido en decenas de países latinoamericanos con gobiernos de izquierda o nacionalistas y acá menciono algunos, Allende, Ortega, Chávez, Lula (con injerencia judicial y mediática), Maduro, Morales… Ya sea con la CIA, golpes, financiación de oposición o sanciones económicas. Y no estoy hablando de mi país que ha sido el laboratorio para usar cualquier experimento de desestabilizacion, magnicidio, bloqueo económico, guerra biológica, terrorismo y lo que sea que se les ocurra.
¿Qué pasaría si varios países se unieran para «desaparecer el sistema imperante en Estados Unidos»? La pregunta es hipotética, pero poderosa. Nadie lo propone seriamente porque sería catastrófico, pero expone la asimetría pues el Norte puede intervenir impunemente en el Sur, pero el Sur no puede ni soñar con hacer lo mismo sin ser aplastado. Esa doble moral es la que denuncio.
¿Sería injusto hacerlo? Si ellos lo hacen sin legitimidad moral, imitarlos sería repetir la misma lógica de dominación, no construir algo mejor. Pero la pregunta no es un plan, sino un espejo para mostrar la hipocresía del poder.
Los pueblos sí tienen derecho a decidir, y los foráneos deberían abstenerse. Pero la historia muestra que eso rara vez se respeta cuando los intereses de las potencias están en juego.
Preguntas como esa llenarían cartillas. Y no son retóricas vacías, son el malestar de quien ve que el mundo no se rige por principios sino por fuerza, y que a unos se les permite todo mientras a otros se les exige perfección moral.
La necedad, quizás, no es vivir sin precio, sino creer que la justicia puede construirse sin poder. Pero hay algo mal que se siembra en parte de la humanidad y es creer que el poder actual es justo porque es el que hay.

ENGLISH
Dignity is non-negotiable, and that's not up for debate. Day after day, I speak out loud about something I don't understand: why certain political projects —especially those of the Latin American left— are expected to submit, fail, or be labeled as "total failures" without looking at the context of blockades, interference, or soft and hard coups.
No, it's not a total failure when a movement is born as a response to decades of exclusion, dictatorships supported by the U.S., or neoliberal models that left people in misery. They are born out of real need. It's another thing that once in power, some of those projects made mistakes, fell into authoritarianism or corruption —just as the right has also done, but without being called a "total failure of capitalism."
The historical position of the right —both local and international— toward those leaderships has often been overthrow, destabilization, or media demonization. Not always in defense of democracy, because that's rarely the reason. Most of the time —to not be absolute and say it's always— it's about economic and geopolitical interests. The U.S. has intervened in dozens of Latin American countries with leftist or nationalist governments. Here are a few: Allende, Ortega, Chávez, Lula (through judicial and media interference), Maduro, Morales. Whether through the CIA, coups, opposition funding, or economic sanctions. And I'm not even talking about my own country, which has been the laboratory for every experiment in destabilization, assassination, economic blockade, biological warfare, terrorism —whatever they can think of.
What would happen if several countries united to "make the ruling system in the United States disappear"? The question is hypothetical, but powerful. No one seriously proposes it because it would be catastrophic, but it exposes the asymmetry: the North can intervene with impunity in the South, but the South can't even dream of doing the same without being crushed. That double standard is what I denounce.
Would it be unfair to do so? If they do it without moral legitimacy, imitating them would just repeat the same logic of domination, not build something better. But the question isn't a plan —it's a mirror to show the hypocrisy of power.
Peoples do have the right to decide, and outsiders should abstain. But history shows that this is rarely respected when the interests of the powerful are at stake.
Questions like that would fill notebooks. And they're not empty rhetoric. They are the discomfort of someone who sees that the world is not ruled by principles, but by force —and that some are allowed everything while others are demanded moral perfection.
Perhaps the foolishness is not living without a price, but believing that justice can be built without power. But there's something wrong taking root in part of humanity: the belief that the current power is just simply because it is what exists.

PORTUGUÉS
A dignidade não se negocia, e isso não está em discussão. Denuncio em voz alta, dia após dia, algo que não entendo: por que se exige que certos projetos políticos —especialmente os da esquerda latino-americana— se dobrem, fracassem ou sejam rotulados como "fracassos totais" sem olhar para o contexto de bloqueio, ingerência ou golpes suaves ou duros?
Não, não é um fracasso total quando uma corrente nasce como resposta a décadas de exclusão, ditaduras apoiadas pelos EUA ou modelos neoliberais que deixaram povos na miséria. Nascem de uma necessidade real. Outra coisa é que, uma vez no poder, alguns desses projetos tenham cometido erros, autoritarismos ou corrupção —assim como a direita também cometeu, mas sem que isso seja chamado de "fracasso total do capitalismo".
A posição histórica da direita —local e internacional— diante dessas lideranças tem sido, frequentemente, o derrubamento, a desestabilização ou a demonização midiática. Nem sempre por defesa da democracia, porque raramente é por isso. Na maioria das vezes —para não ser absoluta e dizer que é sempre— é por interesses econômicos e geopolíticos. Os EUA intervieram em dezenas de países latino-americanos com governos de esquerda ou nacionalistas. E cito alguns: Allende, Ortega, Chávez, Lula (com ingerência judicial e midiática), Maduro, Morales. Seja via CIA, golpes, financiamento da oposição ou sanções econômicas. E não estou falando do meu país, que tem sido o laboratório para todo tipo de experimento de desestabilização, magnicídio, bloqueio econômico, guerra biológica, terrorismo —o que quer que inventem.
O que aconteceria se vários países se unissem para "fazer desaparecer o sistema imperante nos Estados Unidos"? A pergunta é hipotética, mas poderosa. Ninguém a propõe seriamente porque seria catastrófico, mas ela expõe a assimetria: o Norte pode intervir impunemente no Sul, mas o Sul não pode nem sonhar em fazer o mesmo sem ser esmagado. É essa dupla moral que denuncio.
Seria injusto fazê-lo? Se eles o fazem sem legitimidade moral, imitá-los seria repetir a mesma lógica de dominação, não construir algo melhor. Mas a pergunta não é um plano —é um espelho para mostrar a hipocrisia do poder.
Os povos têm sim o direito de decidir, e os estrangeiros deveriam se abster. Mas a história mostra que isso raramente é respeitado quando os interesses das potências estão em jogo.
Perguntas como essa encheriam cadernos. E não são retórica vazia. São o mal-estar de quem vê que o mundo não se rege por princípios, mas por força —e que a alguns se permite tudo, enquanto a outros se exige perfeição moral.
A tolice, talvez, não seja viver sem preço, mas acreditar que a justiça pode ser construída sem poder. Mas há algo errado que se planta em parte da humanidade: acreditar que o poder atual é justo simplesmente porque é o que existe.

