No Brasil, o termo gaúcho se refere aos habitantes do estado do Rio Grande do Sul. No entanto, o gaúcho surge na região do Pampa, que abrange o extremo sul do Brasil, centro-leste da Argentina e todo o território do Uruguai.
Antes da chegada dos europeus, a região era habitada por povos indígenas, principalmente das etnias charruas, minuanos e guaranis. Muitos dos hábitos e da cultura gaúcha vem dos costumes dos povos originários do Pampa.
O exemplo mais conhecido é o hábito de tomar chimarrão, que vem da cultura guarani, onde a erva-mate é considerada sagrada e é compartilhada de forma ritual. Os indígenas usavam o porongo e um canudo de taquara para o consumo da bebida.
Além disso, as boleadeiras, arma típica indígena, que era usada para caça foi incorporada ao manejo do gado. A lança, usada nas caçadas, passou a ser utilizada pelos gaúchos nas batalhas.
O conhecimento do território como a orientação, leitura do clima e sobrevivência no campo também são heranças indígenas. E até mesmo o churrasco, a principal alimentação do gaúcho, utiliza a técnica indígena do fogo de chão.
Assim como o uso de couro cru para abrigo, utensílios e vestimentas rudimentares. E o poncho nada mais é do que uma adaptação dos mantos indígenas. O próprio estilo de vida nômade vagando pelos campos é influência direta dos povos indígenas da região.
Inicialmente, o território dos gaúchos não foi priorizado pelos colonizadores espanhóis e portugueses, que estavam mais interessados nas regiões ricas em minérios e mais acessíveis para os navios.
Já o sul, onde estão os gaúchos, ficou de lado no início — e isso explica por que ali surgiu uma cultura mais livre, menos controlada e bem diferente do restante da colonização.
Além disso, a ocupação do território pelos europeus começa com as missões jesuítas, que utiliza reduções indígenas e introduz o cavalo, a criação de gado, instrumentos musicais, que viriam a formar a cultura gaúcha.
Dessa mistura, nasce o gaúcho, um nômade mestiço que caçava o gado que vivia solto no Pampa, se deslocava utilizando o cavalo como transporte e se alimentava quase exclusivamente da carne de gado.
As primeiras referências aos gaúchos feitas por autoridades e escritores espanhóis, entre os séculos XVII e XVIII, eram bem diferentes da imagem atual. Em geral, eles aparecem nos documentos como figuras marginais, difíceis de controlar e fora da ordem colonial.
Para o governo, os gaúchos não tinham ocupação fixa, viviam do gado alheio e contrabandeavam couro. No entanto, o gado não era marcado e como mestiços não estavam integrados às regras da população europeia. Mais tarde, passaram a fazer parte do exército na defesa da fronteira e passam a fazer parte da colonização e do cultivo da terra.