Ontem estava colocando em dia minhas leituras sobre notícias, quando me deparei com uma que falava sobre um evento nos Estados Unidos, a SXSW, um evento de inovação e cultura pop realizado em Austin. No dia 08/03, houve uma palestra de George Hotz fundador da startup Comma.ai, nunca havia ouvido falar dele e muito menos de sua startup, mas enfim, sua palestra foi acerca da “Hipótese da Simulação”.
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Para quem não conhece, a hipótese da simulação versa acerca de estarmos vivendo em uma simulação criada, tipo um jogo de videogame ou PC, propõe que o que imaginamos ser a realidade, não passa de uma mera simulação criada por algum sujeito (ou grupo) que denominamos por Deus. Elon Musk é um defensor dessa hipótese.
A hipótese até faz sentido, pois da mesma forma que criamos realidades e inteligências artificiais, poderíamos muito bem sermos IA’s e vivermos em uma realidade criada. No filme Matrix há um diálogo que acho pertinente para este texto:
Neo: O que é a Matrix?
Morpheu: Você quer saber o que é a Matrix? Matrix está em toda parte, é o mundo que acredita ser real para que você não perceba a verdade.
Neo: Que verdade?
Morpheu: Que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu em um cativeiro. Nasceu em uma prisão que não pode ver, cheirar ou tocar. Uma prisão para a sua mente.
Ano passado, li um artigo científico de um filósofo sueco chamado Nick Bostrom (Site), ele é professor na Universidade de Oxford e se não me falha a memória ele é o criador dessa hipótese, lá no começo dos anos 2000.
René Descartes já falava algo parecido no início da Era Moderna, quando ele escreveu sobre seus “gênios malignos”. Recentemente, outro filósofo atual, David Chalmers (Site), também colocou lenha nessa fogueira.
Ele cita que o que acreditamos ser uma metafísica, ou seja, o abstrato, não passa de uma realidade criada (A Hipótese da Matrix Metafísica), pois segue:
- O espaço-tempo que conhecemos foi criado por alguém fora desse espaço-tempo físico;
- Os processos físicos do espaço-tempo, são obra de processos computacionais ocultos;
- Nossa mente é construída por processos fora do espaço-tempo que envia e recebe dados de acordo com a necessidade dos acontecimentos.
Particularmente, já pensei muito nessa hipótese, antigamente, na Psicologia Comportamental, eram feitos testes com ratos, atualmente esses ratos foram substituídos por um programa de computador, por quê não poderíamos fazer parte de um programa parecido?
Em um episódio do desenho Rick & Morty, ele criou um Universo dentro da bateria do seu carro, para que as pessoas de lá a carregassem, dentro desse Universo, outro cientista criou outro Universo em que outro cientista estava criando outro Universo, a “Hipótese dos Universos Paralelos”.
E se o Deus que as pessoas costumam professar não exista em um mundo metafísico como pensam, mas exista um “criador” em um mundo tão físico quanto este e somos apenas parte de um jogo, ou de um estudo comportamental, e nunca alcançaríamos de verdade esse mundo, pois nossa mente nunca sairia desse espaço-tempo computacional no qual vivemos.
E se somos apenas um amontoado de zero (0) e hum (1), um código binário que vem sendo estudado e melhorado? Pensando dessa forma, o DNA que constitui todo e qualquer ser vivo, poderia ser a maior prova disso? E se a vida fora desse sistema ocorre de forma mais lenta e um dia lá sejam milhares de anos aqui?
Melhor parar por aqui antes que eu pire, prefiro acreditar no “Cógito Ergo Sun” de Descartes, mas modificá-lo um pouco para parecer mais real, prefiro assim: “Se sinto algo, penso, se penso, logo existo”.