Se tem uma coisa que ficou evidente com essa greve dos caminhoneiros foi que a nossa malha viária precisa ser diversificada.
Se olharmos para o mundo como inspiração, veremos que todos os grandes países, a saber Russia, Canadá, EUA, China, Índia, o Brasil é o único que não tem uma malha ferroviária operante e significativa. Todos os outros possuem uma malha ferroviária estratégica para transporte e escoamento de produção. A título de comparação, os EUA continental, desconsiderando o Alaska, é menor que o Brasil. Mas mesmo assim ele possui quase 230 mil km de ferrovias, enquanto nós temos menos de 30 mil km, ou cerca de 13% da americana.
E esse investimento em ferrovias nos outros países não foi por acaso. O custo de transporte via ferrovias é seis vezes mais barato que o rodoviário. Mas apesar disso, no Brasil as rodovias transportam três vezes mais cargas que as ferrovias. Isso teria que ser no mínimo o contrário pra ser coerente com a lógica econômica.
E se formos perceber que o país é um país agrícola, e que a agricultura é praticada no interior e nos rincões desse país, aí ficamos ainda mais convencidos de que as ferrovias são uma necessidade vital para impulsionar a nossa economia.
Então essa greve também serviu para escancarar essa nossa deficiência de logística. Que isso sirva como lição para os nossos políticos e estrategistas econômicos, no sentido de atrair cada vez mais investimentos privados dispostos a construir, ainda que bastante tardiamente, uma malha ferroviária digna do tamanho do nosso país.

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