Ontem me envolvi em um acidente de trânsito. No meu carro não aconteceu quase nada, mas o carro da outra pessoa capotou.
Chamamos o serviço de emergência, que como protocolo transferiu a pessoa para a maca, imobilizou e colocou na ambulância.
Sou médico, com vasta experiência e, coincidentemente bem próximo do local, encontra-se um dos hospitais onde eu trabalho.
Conversei com a pessoa acidentada que estava no outro carro e ela concordou em ir para esse hospital para que eu a atendesse lá.
Orientei a equipe do transporte de emergência que a encaminhasse ao referido hospital, e fui até lá. Recebi a pessoa, atendi seguindo os protocolos, acompanhei durante os exames, mediquei, etc.
Ela a todo momento foi super agradecida e compreensiva com a situação. Após algumas horas, ela já estava se sentindo bem, exames normais, fiz as receitas, deixei contato do consultório, inclusive contato do celular, etc, e ofereci carona para casa que ela aceitou.
Quando estávamos saindo do hospital, dois policiais chegaram e me informaram que eu havia cometido um crime de abandonar o local do acidente exigindo que eu fosse até o fórum com eles.
A pessoa que eu havia atendido ficou indignada e repetidas vezes disse enfaticamente aos policiais que eu havia prestado socorro no local, e que dei seguimento ao atendimento no hospital.
Detalhe, eu mesmo liguei para a policia e informei que estava no hospital prestando atendimento, caso eles quisessem formalizar o boletim de ocorrência.
Resumo da ópera: fui noticiado como criminoso de trânsito, estou com audiência marcada, carteira será suspensa e eu ficarei com uma ficha "suja".
Provavelmente consiga reverter, mas não sem uma boa dose de dor de cabeça e ainda terei gastos com advogado. A pessoa do outro carro já se prontificou a ser testemunha em minha defesa.
Fiquei bastante chateado, pois fiz o meu melhor e priorizei o que para mim era o mais importante, que era prestar socorro à vítima do acidente.
Mas como diz o meu mestre, nada vai melhorar, a não ser eu mesmo. Eu continuo fazendo meu melhor. O resto não está sob meu controle, então que se dane.