Uma experiência macabra de terror e bizarrice repleta de brutalidade.
Direção: Pascal Laugier | Gênero: Terror
Ano: 2018 | Nota no IMDB: 6,4/10
ESSE TEXTO CONTÉM ALGUMAS INFORMAÇÕES QUE PODEM SER INTERPRETADAS COMO SPOILERS (apesar de eu ter evitado colocar as partes vitais da trama)
Esse lançamento é bastante curioso. Um filme de terror que não escapa muito dos moldes mais consolidados do gênero, mas que não deixa de ser bom por esse motivo. Ghostland é uma experiência válida para os fãs do gênero terror.
A trama do filme não pode ser muito exposta aqui, pois o filme é sujeito a várias reviravoltas, então isso poderia estragar um pouco o filme para quem ainda não o viu. Basicamente, ele inicia com uma família composta de uma mãe e duas filhas que estão indo para uma pequena cidade morar na casa de uma tia falecida. Durante a noite, duas pessoas estranhas invadem a casa e causam um horror traumático às três. Após escapar desse evento, 16 anos depois, Beth, a filha que é também protagonista, volta à casa em que ainda mora sua mãe com a sua irmã Vera, que vive com sequelas daquele episódio. Então as coisas começam a piorar.
O filme aborda bastante a questão mental, a fuga através do delírio e o poder do trauma. Ele faz constantes menções ao lendário H. P. Lovecraft, escrito de horror que é o ídolo de Beth, que sonha em um dia se tornar uma grande escritora do gênero. As homenagens a ele são constantes, apesar de o foco macabro da trama passar longe do terror cósmico do escritor.
Em matéria do medo, o filme utiliza bastante o imaginário assustador e bizarro que vive em torno das bonecas antigas, de feições estranhas e distorcidas, de gargalhadas apavorantes e imobilidade perturbadora. Soma-se a isso vilões que não se sabe de onde vêm e quais seus motivos, estruturados como aquela dupla conhecida composta por uma mãe super-protetora e um filho forte, mas mentalmente doente. Há algo de perturbante na mãe que, protegendo seu filho doente, torna-se mais doente ainda ao tentar suprir instintos patológicos dele. Já vimos essas fórmulas algumas vezes no terror, mas isso não impede que elas não funcionem nesse filme. As cenas são tensas, nervosas e conseguem transmitir bem aquele sentimento de ser presa de alguma criatura maior e mais forte... ou, quem sabe, de ser um mero brinquedo nas mãos de uma criança tirânica.
Ghostland é uma produção franco-canadense, com o Canadá arcando com 69.12% do orçamento e a França 30.88%. Uma curiosidade sobre o filme é que a atriz Taylor Hickson, que interpreta Vera no filme, se machucou durante as filmagens, ferindo gravemente um dos lados do rosto. Pela desfiguração facial causada pelo vidro partido em uma cena, Taylor processou a companhia responsável pelo filme, que se chama, ironicamente, Incident Productions.
O filme é bem violento, apela bastante à brutalidade nas cenas, apesar de não chegar a níveis extremos. Ele consegue fazer um bom trabalho em produzir tensão no telespectador, apesar de não ser nenhuma obra-prima do gênero. Ghostland é um bom entretenimento, um bom filme para assistir numa tarde chuvosa com mais pessoas, mas não um filme para guardar o nome entre os clássicos do terror.
Referências