Não sou, mesmo nada, a favor dos dias “disto”, ou dias “daquilo”.
Tenho muito respeito pelas datas e pelo significado que pretendem transmitir, mas em minha modesta opinião, parece-me que, actualmente, existem dias de tudo.
Gostaria, no entanto, de esclarecer que a minha principal questão é que, quando se banaliza estas as datas, elas deixam de ter significado.
É o dia do “irmão”, da “tia” do “sobrinho”, do “namorado” do “filho”, etc., etc..
Veio-me à memória a importância que atribuíamos, na minha juventude, à comemoração de certas datas, como por exemplo, o Dia da Mulher. E porque é que lhe atribuíamos tanta importância?
Vivi parte da minha juventude (até Abril de 1974) num regime em que a mulher não tinha quaisquer direitos. As mulheres tinham um estatuto de semi-pessoas.
Em Portugal o sufrágio só foi universal, para o sexo feminino, em Novembro de 1974. As mulheres não podiam viajar sem autorização dos pais ou dos maridos. O ensino superior e até mesmo o secundário foi vedado durante muitos anos às mulheres. Muitos exemplos poderia enumerar, mas penso que estes são suficientes.
As mulheres trabalhadoras da industria têxteis, em Nova Iorque, organizam uma marcha a 8 de maço de 1857 para exigir melhores condições de trabalho e igualdade de direitos entre homens e mulheres. A 8 de Março de 1908, também em Nova Iorque, outro grupo de mulheres fazem greve pelo fim do trabalho infantil e pelo direito ao voto.
A 25 de Março 1911, na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque, morreram queimadas, num incêndio, 146 mulheres trabalhadoras, devido não existirem condições de segurança no local de trabalho.
Agora já posso responder à questão que coloquei no 5º parágrafo.
Comemorar o dia em que 145 mulheres trabalhadoras morreram, devido há falta de condições de trabalho, para as quais foram alertando ao longo dos anos e, que tal facto, provocou várias mudanças nas leis e na segurança do trabalho, isso sim, parece-me motivo para ser homenageado e nunca esquecido.
Durante uma conferência na Dinamarca foi decidido que o dia 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e, como forma de obter apoio internacional para luta em favor do direito de voto para as mulheres (sufrágio universal). Esta data foi adoptada, igualmente, pela ONU em 1975.
Concluindo, não pensem que não adoro o meu marido, o meu irmão e os meus sobrinhos.
Amo-os muito e são, sem sombra de dúvida, as pessoas mais importantes para mim, mas não comemoro esses dias.
Espero que me percebam, não estou contra o “dia de…”, estou sim, contra a sua banalização.
Muito obrigada pela visita. Voltem sempre!
Feliz sexta-feira !!!