Alguma vez na vida, você já parou para pensar em como será a educação no futuro? Como será que seus netos, bisnetos ou tataranetos serão preparados para a vida em sociedade?
A educação tem uma importante função social desde a sua criação: preparar os jovens para a vida em sociedade. Seja para o convívio, para o trabalho ou para sua própria vida, a educação sempre está a serviço de um bem coletivo, não é verdade?
Para olharmos para frente, vamos primeiro, olhar para traz e compreender a escola, sua origem e sua evolução.
Vamos então, pensar um pouco sobre o que é educação e o que é escola…
Pensar no sentido de educação, nos leva a dois segmentos diferentes para esse termo.
Primeiramente, temos o sentido de transmissão de valores e de comportamentos. A educação vinculada ao convívio social, ao respeito e à postura do indivíduo no meio em que vive. O outro sentido está relacionado ao desenvolvimento das aptidões cognitivas, físicas e culturais dos sujeitos.
Educação deriva do latim educations que significa processo contínuo de formação. O conceito de educação está atrelado à ideia de transmissão de um determinado conhecimento para os mais jovens. Mas seu conceito não traz em si o ideal de escola como conhecemos, certo?
Carlos Rodrigues Brandão, em seu livro “O que é educação?”, nos faz refletir sobre uma educação que antecede a existência das instituições de ensino. Segundo ele, desde os primórdios da organização social humana, quando o homem deixou a vida nômade, ele tinha o interesse de transmitir aos mais jovens os conhecimentos. Provas disso, são as pinturas nas cavernas. Nas palavras dele: “Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar.” (1981, p. 07)
Para Brandão, a educação, no nível como a entendemos hoje — educação institucionalizada — reproduz, reforça, cria e recria a discriminação e a supervalorização da diferença.
Quando um povo alcança um estágio complexo de organização de sua sociedade e de sua cultura, quando ele enfrenta, por exemplo, a questão da divisão social do trabalho e, por tanto do poder, é que ele começa a viver e a pensar como problema as formas e os processos de transmissão do saber. É a partir de então que a questão da educação emerge à consciência e o trabalho de educar acrescenta à sociedade, passo a passo, os espaços, sistemas de tempos, regras da prática, tipos de profissionais e categorias de educandos envolvidos nos exercícios de maneiras cada vez menos corriqueiras e menos comunitárias dos atos, afinal tão simples de ensinar-e-aprender. (BRANDÃO, 19981, p.16)
Brandão, ao estudar a trajetória histórica da educação, percebe que em todos os lugares do mundo, desde a tribo mais remota até as sociedades mais desenvolvidas econômica e tecnologicamente, a educação acontece. Segundo ele, a escola como a conhecemos tem origem na Grécia e Roma, mas foi adaptada às necessidades da sociedade industrial. E, para ele, é no período da Revolução Industrial que a produtividade se torna meta da educação.
A educação da comunidade de iguais que reproduzia em um momento anterior a igualdade, ou a complementariedade social, por sobre diferenças naturais, começa a reproduzir desigualdades sociais por sobre igualdades naturais, começa desde quando aos poucos usa a escola, os sistemas pedagógicos e as “leis de ensino” para servir ao poder de uns poucos sobre o trabalho e a vida de muitos. Onde um tipo de educação pode tomar homens e mulheres, crianças e velhos para torná-los todos sujeitos livres que por igual repartem uma mesma vida comunitária; um outro tipo de educação pode tomar os mesmos homens das mesmas idades, para ensinar uns a serem senhores e outros, escravos, ensinando-os a pensarem dentro das mesmas ideias e com as mesmas palavras, uns como senhores e outros, como escravos. (BRANDÂO, 1981, p. 37. Grifos do autor)
Como podemos perceber na colocação de Brandão, a educação como a vemos estruturada em nossa sociedade é uma construção cultural. No Brasil, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), a Educação tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. No processo educativo os conhecimentos e habilidades são transmitidos para as crianças, jovens e adultos sempre com o objetivo desenvolver o raciocínio dos alunos, ensinar a pensar sobre diferentes problemas, auxiliar no crescimento intelectual e na formação de cidadãos capazes de gerar transformações positivas na sociedade. Assim, é através da educação que a sociedade forma o homem, integrando-o e conduzindo-o em seus valores e objetivos. A educação se desenvolve através de situações presenciadas e experiências vividas pelos sujeitos ao longo da vida.
Veja a brilhante colocação de Mário Sérgio Cortella, ao escrever sobre Educação, em seu livro “Pensar bem nos faz bem! ”, página 17:
Mas se educação e escola são coisas diferentes, por em alguns países educação e escola são coisas indissociáveis? A questão é a garantia do direito à educação à todas as pessoas, sem exceção, e, na ânsia de atender à essa demanda, a escola em países como o Brasil se tornou obrigatória. Mas até ai, tudo bem. Então, onde está o problema?
A problemática da questão está na função social da escola. Existem muitos vieses a serem considerados aqui, mas vamos nos ater a apenas um para desenvolver um raciocínio linear. A escola ainda exerce a função de formar cidadãos pacatos e obedientes a serviço dos patrões nas fábricas. Mas a sociedade, no terceiro milênio, já não espera mais que os cidadãos sejam pacatos e obedientes, ao contrário. A sociedade espera iniciativa, proatividade, criatividade e dinamismo. Desse modo, podemos entender que a escola, como é estruturada tradicionalmente com salas de aula, horários rígidos, sinetas, filas, refeitórios, silêncios, obediências, etc., está obsoleta.
A escola já não atende sequer as demandas de um mercado de trabalho. Vale lembrar que a escola, nesse formato, surgiu afim de atender as demandas do mercado de trabalho fabril da Revolução Industrial. Diferentes autores, em diferentes lugares do mundo alertam há décadas que a escola precisa se transformar, romper com esse modelo e fazer-se um espaço de aprendizagens múltiplas. Mas muito pouco mudou até agora.
E o que devemos fazer? Devemos deixar nossos filhos serem formados por essa educação, ou oferecer a eles algo mais rico em múltiplos sentidos?
A homeschool é uma das respostas que a sociedade tem apresentado à esse formato de educação. Podemos até vislumbrar que bem como o homeoffice cresce à cada dia, a homeschool talvez seja a educação do futuro. Uma educação mais afetiva, mais individualizada. É fundamental, entretanto, que os pais que desejam se dedicar à essa modalidade, preparem-se para tal empreitada buscando informação, apoio e material para oferecer uma educação de qualidade a seus filhos.