Loucos são esses dias que estamos vendo chegar. Blockchain mudando a forma como usamos a internet; a popularização das tecnologias pelo mundo todo, como cirurgias baratas e próteses feitas por impressoras; robôs com inteligência artificial filosofando, fazendo piadas e sendo reconhecidos como cidadãos; drones de todos os tipos, programas programados por hashtags no Twitter, e, aaaah, as criptomoedas subindo, subindo e sendo convertidas em dólares... Estamos há 4 dias de 2018 e a um piscar de olhos de um episódio de Black Mirror na vida real. Quero ver explicar para sua mãe!
Às vezes, quando passo alguns minutos checando umas páginas que alimento no Facebook, noto de que época estranha é essa. Avalanches de textões sobre gênero, feminismo, política, Lula, Vittar, Dória e melhor Jair se acostumando. Temas que às vezes até parecem relevantes mas na verdade não são tanto assim. A vida diária é diferente disso. Por exemplo, quando estou por entre as redes sociais que pra mim são mais úteis, como o YouTube e o Instagram, geralmente estou tratando de assuntos apenas do meu interesse, sem sequer lembrar de cada tema polêmico amplamente discutido no Facebook, onde todos tem a ilusão de que defender suas opiniões com unhas e dentes é o que importa, ou que concordar com elas é o que importa ainda mais. Mas, você sabe, não somos nossas opiniões, e sim o que fazemos. Então sem perceber pulamos pro próximo level.
É como fugir das grades do canil enquanto os outros cães continuam correndo atrás do próprio rabo. Porque não é que eu não ligue para o resultado das eleições do ano que vem, mas cuidar do que possa ser melhor para o meu futuro é mais importante que estar certo sobre tudo na internet. Desde 2013, quando essa suposta consciência política começou a aparecer pela internet, a história é sempre a mesma - postar uma hashtag é um ato político? - Felizmente, meus amigos mais próximos também enxergam além da tal dicotomia e veem no horizonte essa mudança chegando. A masturbação mental que é a discussão por ideologias vale tanto a pena quanto o esforço para estocar vento.
Meu amigo, de pouco valerá o presidente do Brasil quando meio mundo estiver surfando nos pumps das moedas no ano que vem, pagando o que for cobrado em reais com aquele sorrizinho no canto da boca. Dizem as boas línguas que o blockchain e as criptomoedas irão mudar drasticamente a nossa economia global e a forma como negociamos bens e serviços. De longe, uma das principais vantagens é a liberdade para fazermos quaisquer tipo de transações de valores virtuais, independente do país em que estamos ou com quem estamos operando. O estilo de vida que os nomes como Tim Ferriss(autor de Trabalhe 4 horas por semana e Tools of Titans ) e Jeff Walker ( Product Launch Formula ) nos vendem é um jeito cada vez mais real e atraente para sair do mundo dos empregos tradicionais, em que trocamos nosso tempo por dinheiro. Transformar know-how em produto e paixão em renda passiva é realidade. É outra época, e demanda empenho.
Você diz que quer uma revolução? Bem, nós todos queremos mudar o mundo . Mesmo com nosso medo natural do futuro, que pode nos pegar divagando sobre como a Inteligência Artificial irá tomar o controle, ou como todos seremos chipados e controlados por um único governo centralizado que irá vigiar tudo e todos a todo instante, o futuro é melhor do que imaginamos. Segundo Peter Diamandis, que é o maior otimista atualmente sobre esse futuro que já está aqui, até 2025 ninguém mais vai usar smartphones nem possuir automóveis, por exemplo, e muito menos trabalhar em empregos tradicionais, já que mais da metade dessas vagas de trabalho serão em breve ocupadas por máquinas, softwares e robôs, todos interligados. E quanto ao empreendedorismo digital, se você mora no Brasil pode confirmar o que eu também tenho notado sobre o boom de "especialistas" (e milionários) nas mais diversas áreas, resultado dos cursos de lançamentos de produtos digitais, graça de Jeff Walker, citado acima, importada pelo Érico Rocha por aqui. Um jeito mais agressivo de empreender e fazer o próprio dinheiro, sem enganar nem ser enganado, baseado em técnicas de persuasão e listas de email homéricas. Bom, alguém aqui também ouviu em algum lugar que as crises formam pessoas fortes?
Não é otimismo exagerado da minha parte, mas sim uma forma mais atenta de olhar para os fatos que tem ocorrido e dados que temos disponíveis. Tradicionalmente a mídia nos empurra notícias negativas sobre tudo, e faz ocuparmos nossas cabeças com notícias que não impactam nosso dia-a-dia, nos deixando aborrecidos, preocupados e ansiosos, e mais propensos a expurgar nossos demônios xingando o próximo nos comentários lá do Facebook ou na ceia do fim do ano. E é tão melhor parar, dar um passo para trás e observar com maior clareza as possibilidades.
Meu ponto é que pode se ver a figura que quiser em uma gestalt. Na verdade ela não é nenhuma das duas imagens possíveis, e sim ambas. Observamos nas coisas sempre aquilo que condiz com os nossos pensamentos, ou o que nos convém. Dessa forma, sabendo disso, que tal se focássemos só no que nos convém. Não? Você pode passar a eternidade discutindo no Facebook defendendo o parasita que preferir, dizendo que o Brasil nunca vai mudar e que todo mundo está fodido. Ou por outro lado você pode deixar os cães latindo e dedicar seu tempo livre para continuar investindo em você mesmo. Porque se você não o fizer, não é o Lula nem Bolsonaro que o farão.