Beleza não põe na mesa”
Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”.
Alguns desses ditos populares para descrever as belezas corriqueiras não são mais tão usuais. Apesar disso, o assunto ainda desperta rumores e às vezes discussões polêmicas.
Na maioria das vezes, tratar a beleza é falar sobre pessoas. No entanto, discutir tais especificações humanas parece mais como “chover no molhado”, além de desnecessário.
Levando o assunto para outro nível, penso nas coisas ao nosso redor. Por que tudo o que vemos não pode ser decorativo? Ou seja, conter um conjunto de elementos que despertam boas sensações.
Na época da escola, muitos se preocupavam com o visual dos trabalhos acadêmicos para complementar a parte teórica. Lembro-me dos professores elogiando as capas. Obviamente que isso não garantia a nota, mas poderia ser um atributo a mais para consideração.
Buscar o embelezamento nas coisas é considerar os melhores resultados na sua totalidade. Não é à toa que a decoração é um tema com tantas possibilidades. Alguns dos significados da palavra explicam isso: “conjunto de elementos de uma obra de arte ou peça artística que apelam aos sentidos (cor) ou despertam sensações (forma e movimento).”
Para muitos, o interesse pela decoração vem da necessidade de se sentir bem. Uma casa com objetos bem distribuídos causa relaxamento. Nem todo mundo tem condições financeiras ou habilidade na área. Porém, hoje em dia, com as facilidades de “faça você mesmo” e dicas na internet isso já não é mais desculpa, pode ser apenas opção.
Infelizmente, nas ruas das cidades ou em ambientes corporativos, não temos alternativa, já que para ver as coisas organizadas de uma forma harmoniosa depende de muitos.
Um tempo atrás, a cidade de São Paulo fez uma lei para padronizar todos os outdoors. No início, houve bastante relutância, contudo, depois o resultado foi visível com menos poluição visual.
Ainda está longe da perfeição, mas melhor do que antes. O fato das construções não terem tido planejamento pode ser uma das causas da falta de tanta simetria.
Porém, por que as cidades, capas de livros, layouts de site, embalagens e tantas outras coisas são feitos, muitas vezes, sem encanto?
Desde a antiguidade, a humanidade sabe como fazer a beleza. No fim do século 12, o italiano Leonardo Fibonacci consagrou o caminho por meio de uma fórmula.
Para quem não se lembra, ele o responsável pela criação da sequência infinita de números que estabelece a “proporção áurea”. A série começa com 0 e 1. Os números seguintes são sempre a soma dos dois anteriores.
Ao transformar esses números em quadrados e dispor de forma geométrica, é possível traçar uma espiral perfeita, presente em todos os organismos vivos, sendo que em alguns está mais evidente, como camaleão, elefante, girassol, pinha e concha de caramujo.
O valor da proporção entre os termos de 1,618 é considerado, por muitos, a assinatura de Deus
A sequência ou espiral de Fibonacci também aparece na arquitetura, arte, design e tantos outros objetos, justamente por ser considerada agradável aos olhos. Entre os mais conhecidos: cartão de crédito, pirâmides do Egito, quadros de Leonardo da Vinci e poema de Homero.
Sem recorrer a nenhuma razão de ouro, é possível entregar beleza de uma forma intuitiva. Me espanto quando as pessoas parecem negligenciar propositalmente, contentando-se com verdadeiros garranchos. Para a maioria, um dos critérios de avaliação e escolha das coisas é o visual agradável.