Ontem tinha tudo para ser mais um dia como outros em que corro para competir nas ruas de São Paulo. Provavelmente, nem falaria a respeito, pois não teria nenhuma novidade para contar. Aquela mesma rotina: acordar às 5h, comer rapidamente algo, ir até o local da prova, se reunir com os amigos, correr com a chance de ganhar ou não, voltar para casa e, finalmente, aproveitar o domingo. Pronto!
No entanto, tudo começou diferente desde a minha saída. Resolvi ir até o local da prova a pé. Fica uns 30 minutos da minha casa. No caminho, vi alguns carros, algumas pessoas na rua e uma festa rolando. Aparentemente tudo normal. Até que vejo um celular caído no meio da rua, antes mesmo de dar tempo de fazer algo, apareceu um homem nesse instante. Ele agachou e pegou. A minha surpresa foi vê-lo levantar e falar: “Nossa que sorte.” Ele continuou caminhando todo feliz, levando algo como se fosse dele. Tive certeza que ele nem tentaria devolver ao dono. Uma vez, eu também achei um celular na rua, e devolvi.
Nessa hora, eu refleti bastante e só pensei: “O que acontece com os desonestos?” Já conheci pessoalmente outras pessoas que se apropriam do que não são delas, normalmente não são felizes ou têm uma falsa noção de felicidade.
Considerações à parte. Continuei seguindo o meu caminho com o meu propósito. Tudo corria bem, até eu finalizar a prova, chegar e ver alguns atletas revoltados. Sim, mais um exemplo de atitude desonesta. Um homem se passou por vice-campeão na chegada dos 5 km. Muitos viram que ele não correu. Mas, ele interpretou. Fez cara de cansado, vibrou e gritou: “segundo colocado”.
Todos perplexos não tinham outra atitude, senão contestar. Alguns foram até os organizadores reclamar. Para a surpresa, eles queriam validar o resultado fajuto, pois aparentavam conhecer o rapaz. Houve muita confusão para a verdade e nada além dela permanecer. Depois disso, houve um terceiro caso, não vou contar por falta de provas. Está relacionado a alguns resultados no feminino que desconfio não serem reais.
Com tudo isso, fiquei triste e inconformada. Mais do que isso, pensei nas consequências desses atos para esses indivíduos, os outros ao seu redor, e também à sociedade como um todo. Já ouvi muita gente por aí dizendo: “não confio nas pessoas”. Acho que não devemos nos contaminar pelas atitudes erradas e nem acreditar que elas representam a maioria. Deixar de confiar nas pessoas acarreta várias consequências. Prefiro continuar acreditando, pois ainda existem os íntegros e os esforçados. Esse impostor na corrida não representa nada, afinal não revela o espírito competitivo do esporte.
As pessoas desejam conquistas de todas as espécies. Porém, esquecem que é necessário trabalhar duro para consegui-las. Se deseja um celular, um carro ou qualquer outro bem material, trabalhe para isso. Se deseja uma vitória no esporte, lute para conquistar. Não é fácil, mas vale a pena. Não existe coisa melhor do que colher frutos verdadeiros. Eles nos dão paz e sono tranquilo. Acredito que uma hora ou outra, essas pessoas vão ser cobradas pelas suas consciências. Então, só elas mesmas poderão responder: “O que acontece com os desonestos?”