Ela é muitas: porque nunca se abandona.
No café discute ideologias políticas a partir de uma conversa sobre o último episódio da telenovela da tvi.
Na esteticista fala sobre as medidas da austeridade enquanto depila meia perna a cera.
Na fila da Segurança Social, aguardando algumas decisões sobre o seu futuro, observa o calçado das senhoras de idade e imagina-se a usá-los.
Na praia finge dormir, para deitada e concentrada, conseguir perceber melhor a relação de parentalidade dos vizinhos.
Vamos (des)construindo as nossas noções de lazer, porque dentro de nós vivem muitas identidades, e no fim acabamos por ser o produto interno bruto dessa mistura: que na verdade somos nós.