Depois de 10 horas de julgamento (Das 14:00 até 00:00 horas de ontem), finalmente foi decidido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, a maior corte da justiça brasileira que o ex presidente do Brasil, Lula da Silva, poderá ser preso acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e negociatas com empresários. Eu realmente achei um espetáculo a parte vendo aqueles ministros, especialistas das leis, utilizando um linguajar extremamente técnico, jurídico e antipopular para dizer algo que todos gostariam de saber que era se o ex presidente iria ser preso ou não.
Engraçado ver que na televisão, nos sites de notícia e redes sociais que foi preciso fazer um esquema de segurança quase anti-terrorismo em volta e nos arredores do tribunal em Brasília para prevenir que os adeptos políticos de Lula e os contrários à Lula pudessem se agredir. Um muro que separou os dois lados parece que foi necessário construir para prevenir agressões. Surreal pensar que ainda existem pessoas que se possível "matam e morrem" por políticos.
Sobre a decisão da prisão de Lula, acredito que tudo é muito mais profundo quanto se pensa sobre o combate à corrupção. Lula não é o único nem será o último caso de repercussão de políticos presos nesse país. A prisão de Lula é dramática para os seus adeptos e para o cenário político brasileiro como um todo, pois o Brasil teve um crescimento social impressionante durante o seu governo.
Muita gente saiu da pobreza, construiu a sua casa, comprou seu carro. Parecia que o Brasil finalmente iria ser um país de primeiro mundo. Isso não podemos negar. Mas não podemos negar também que tudo isso não passou e foi resultado de especulação no mercado, negociatas, esquemas entre governo e empresas protegidas por ele e que anos mais tarde isso tudo iria "explodir". É o preço pago pelo protecionismo, pelo monopólio, pelo corporativismo.
Corrupção não se combate com leis mais duras, não se combate com prisões, sequestros de bens de acusados de corrupção ou intervencionismo jurídico. Corrupção se combate com fim de leis comerciais protecionistas, se combate com fim de barreiras alfandegárias, se combate com limitações de poderes de governos e políticos na economia, se combate com livre comércio, livre concorrência, fim de agências reguladoras, eliminação de impostos sob produção.
Mas poucos conseguem pensar ou inclusive levar em conta essas soluções, pois elas podem acabar ou podem ir de encontro a interesses de muitos que estão no poder. Enquanto isso, vamos assistindo e sendo espectadores de mais e mais casos e escândalos de corrupção, mais políticos sendo julgados e presos. O esforço do estado em querer enxugar gelo não pode parar...
Foto: ©Jammerson Santana