“O mundo seria um lugar melhor se as pessoas se perguntassem com mais frequência: E se fosse comigo? ” Li essa frase enquanto pensava em como escrever sobre o que está cada vez mais em falta nos dias atuais: empatia. Creio que o mundo não é um lugar 100% habitável desde quando Adão e Eva comeram a maçã (pra quem acredita nessa versão da história), mas de uns tempos pra cá — não sei se é impressão minha — as coisas parecem ter se elevado a níveis estratosféricos e a ‘internet’ causou ou ampliou isso ainda mais. Não que eu tenha perdido toda a fé na humanidade, mas às vezes passo perto.
Basta acessar qualquer rede social para ver o Zoológico humano que a web se tornou, e longe de mim nos comparar com animais, porque eles não merecem isso, mas é no mínimo triste assistir isso se alastrando. A “internet” é como a arma na mão do covarde, às vezes literalmente já que o cyberbulling é uma dor real. Onde esse ódio estava escondido? A coragem de “dizer o que pensa” está à distância de um clique e diariamente vemos os exemplos de "body shaming", "slut shaming" e tantos outros termos que significam quase sempre a mesma coisa: falta de empatia ou pura maldade.
As pessoas simplesmente chegaram à conclusão que ficar atrás de uma tela, e deliberadamente disfarçar sua maldade em forma de opinião, é um trabalho de tempo integral. E lá se vai um pedaço da nossa dita humanidade, tem muitos mais para apontar o dedo, do que estender a mão, e não há justificativa, não tem como você simplesmente infligir propositalmente no outro a dor que você sente/sentiu ou simula. Fazer alguém sofrer com um comentário venenoso não te fará sentir melhor e se faz, então algo está muito errado com você, talvez a feiura que você aponta no outro, seja o seu próprio reflexo te encarando de volta.
Não acho que isso vá se alterar em algum futuro próximo, mesmo porque as pessoas não parecem interessadas em mudar e qualquer um que aponte isso é taxado de perdedor, quadrado ou qualquer outro título descredibilizante, então assim seguimos, abrindo ferida após ferida para o entretenimento da plateia.