Uma mãe acaba de fazer queixa na comunicação social por a escola ter obrigado a sua filha a lavar casas de banho como castigo por ter chegado atrasada. A escola nega, diz que as acusações estão cheias de "omissões e inverdades" e a direção abriu um processo de averiguações.
Sobre a medida aplicada e se a versão da mãe for correta, considero excessiva a obrigação de limpar casas de banho como castigo por chegar atrasada, mas não considero descabido que os alunos comecem a realizar este tipo de tarefas nas escolas como parte da sua formação.
Limpar não é vergonha nenhuma e talvez assim comecem a ter mais respeito pelo espaço escolar e acabe-se com a vergonha de termos casas de banho sem papel higiénico e sem sabonote. Infelizmente tal acontece porque estes duram no máximo 1 dia e acabam frequentemente colados ao teto...
Os chineses incluem as ações domésticas no seu currículo e são apenas uma das maiores potências mundiais. Falam em consciência cívica e respeito pelo património público e estudos apontam que as crianças e jovens que realizam tarefas domésticas são mais responsáveis, independentes, organizadas e com maior espírito de entreajuda.
É verdade que é uma questão cultural e em Portugal muitas das tarefas domésticas ainda caem sobre os ombros das mães, mas a escola, que tanto fala em Cidadania, deveria mostrar à restante sociedade que de pequenino se torce o pepino. Comemorar o dia do ambiente, plantar umas árvores, ensinar o conceito da reciclagem, são boas iniciativas que podem e devem continuar, mas alicerçadas em novas tarefas que só fortalecem os mais novos.
Hoje em dia colocamos os alunos a realizar trabalho comunitário quando se portam mal, transmitindo a estes a máxima "só limpas quando estás de castigo".
Está tudo ao contrário...