Olá, z z z Z Z Z Z Z ZZ
Houve um tempo, em terras tão vastas quanto a ingenuidade humana, que os bravos guerreiros das florestas não foram domados por espadas, mas por um brilho mais sutil.
Portugueses e espanhóis, com seu gume de ferro e sua malícia civilizada, não precisaram de muito para curvar a altivez desses povos. Não, o segredo estava em um objeto simples, mas devastador: o espelho.
Os índios, em sua sabedoria natural e desconhecimento da própria imagem refletida, olhavam para aquele pedaço de vidro e viam não um engodo, mas uma revelação. Apaixonaram-se.
Como Narciso diante de seu próprio reflexo nas águas límpidas, eles se entregaram à vaidade de se verem, ao fascínio da forma, e trocaram ouro e terra pela ilusão. Foi o primeiro grande "hack" da vaidade humana.
E agora, séculos depois, olhamos para as telas cintilantes que carregamos no bolso. A caixa de Pandora moderna. O smartphone, esse espelho em 4 (quatro lados de vidro e pixels), não só nos reflete, mas amplifica, distorce e nos aprisiona em uma dança narcisista nas redes sociais. Não é mais apenas a imagem estática de nós mesmos, mas uma projeção incessante, um avatar digital que vive de "likes" e "views".
Trocamos a nossa atenção, o nosso tempo e, às vezes, até a nossa alma, por uma miragem constante. A história, veja só, gosta de rimar suas tragédias com um brilho sedutor.
z z z Z Z Z Z
tkb