Proteção e cuidado podem ter lá suas semelhanças. Dentre elas, certamente estará o desejo de ver o bem estar do outro.
Entretanto, vale a pena refletir um pouco mais sobre o assunto. A melhor maneira, ao que me consta, é mesmo a exposição de exemplos. Vamos a eles:
A Proteção: o ato de proteger uma pessoa sugere sempre que o protetor tenha poderes para interferir na forma como o protegido irá lidar com as consequências de suas escolhas. Quando um garoto de nove anos sobe numa escada para trocar a sua primeira lâmpada e seu pai fica no chão, preparado para proteger o filho de um ferimento caso aconteça uma queda, isso me parece uma proteção amplamente justificável, já que o sofrimento do menino, neste caso não traria ensinamentos significativos. Por outro lado, quando um garoto de quinze anos, pega o carro do pai, bebe oito cervejas em uma festa, bate com o carro, machuca uma pessoa e seu pai vai até o local da ocorrência dizer que quem estava dirigindo o carro era ele e não o filho, observamos um caso clássico (e muito comum) de proteção (uma ação voltada ao alívio ou evitação do sofrimento do outro) que pode contribuir para que esse jovem jamais aprenda a lidar com as consequências dos seus atos. Proteger, neste caso, pode provocar um atraso grave no amadurecimento.
O Cuidado: cuidar de uma pessoa, ou de uma relação - mesmo com animais, vale dizer -é geralmente acompanhada por um desejo de que o outro não sofra, que não se machuque, que faça escolhas boas para si mesmo. Acontece, no entanto, uma diferença crucial em relação à proteção: aqui, o cuidador sempre vai visar à autonomia daquele que está sob seus cuidados. Isto significa que em algumas situações, como no caso do adolescente motorista embriagado descrito acima, a dor e o sofrimento não seriam evitados, pois o jovem seria obrigado a responder por suas próprias escolhas.
Proteção e cuidado são ações movidas por princípios diferentes. A primeira visa a evitar que o outro sofra ou se frustre, sempre que possível. A segunda visa a contribuir para que o outro cresça e amadureça, mesmo que para isso, precise sofrer e enfrentar frustrações.
Até a próxima, quando poderemos refletir sobre o sofrimento de quem cuida!