Prosa, versos e Música #2
Prosa, versos e música é uma brincadeira com as palavras, e com a dinâmica audiovisual. Mesmo que as palavras sejam mais ou menos, ainda terá uma boa música!
(Para experiência proposta sugiro iniciar a música no link do post em página diferente - YouTube- junto a leitura - 00:00s, e após leitura acompanhar o vídeo até o fim.)
As águas de março fecharam o verão. O outono costuma ficar mais cinza.
Como mais cinza?
Se tudo está cinza. Há muito cinza, todos os dias, desde sempre.
As cores perderam o brilho. As palavras cortam, enchem, espremem, empurram. Mais, mais e mais. Não sinto mais nada, nem o gosto das coisas. Não quero nada, não como nada. Comida e tristeza.
Desde que você foi. O mundo caminha em direção ao buraco, um buraco negro, sugando, sugando, até não sobrar mais nada de mim.
Não consigo andar. Fecho os olhos.
É hora do almoço, moço.
Que eu ainda sou bem moço prá tanta tristeza
Deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço sem ter visto a vida
Belchior
Calma moço, você é muito novo, não deixe a morte lhe arrastar.
É pau, pedra…
Mas todo dia o presente nasce, e o passado vira uma história, que ao nos contarmos, conhecemos nossos contornos.
Sentimos. Sentirmos.
Sentir nos permite a correr pelos canteiros, brincar no mato, lembrar do gosto de framboesa.
Andar, caminhar, correr.
Voltar a sentir o gosto.
Voltar a sentir.
Parar de esconder a tristeza.
E escolher a liberdade de viver.
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