O TERRITÓRIO DA PONDERAÇÃO E DO EQUILÍBRIO
A potência libriana se realiza na mediação da relação entre pessoas ou coisas distintas por seus desejos e vontades. Para isso, é preciso ter um olhar que não se restringe às próprias vontades, colocando-se em uma posição de imparcialidade.
Há uma parte de nós que sinaliza vontades e outra parte muito necessária que “negocia” com o mundo a satisfação destas vontades considerando a relação que ela trava com as vontades alheias. A posição de um juiz é simbólica desta energia em estado puro, pois quando o juiz está atuando, ele deve ter um olhar para além de suas paixões individuais, para que possa reconhecer com igual atenção as necessidades das duas partes que estão se relacionando judicialmente.
Há uma frase do filósofo Humberto Maturana que diz o seguinte: “reconhecer o outro como legítimo outro”, e isso significa amor na concepção da ontologia da linguagem. A energia libriana se manifesta a partir de quando se reconhece o direito e a legitimidade de qualquer um que seja diferente. A diferença então é validada, e a partir disso é possível agir com harmonia em relação a este outro, ou seja, convergir suas ações com as deste outro, de modo a atender as duas partes e não apenas a si mesmo.
O encontro entre duas coisas distintas produz confronto, e a harmonização deste encontro produz união. É nessa tarefa que atua a energia libriana, e para isso se utiliza a capacidade de ponderação. Este é um processo que primeiro reconhece as partes envolvidas, suas demandas e vontades, e depois dosa de que maneira e em que medida as duas podem se satisfazer mutuamente numa união.
O MITO DE QUIRON
Na mitologia, Quiron é um centauro imortal atingido por uma flecha com um veneno mortal. Por isso, ele não morre, mas o ferimento causado não se cura. Por sofrer de muitas dores, ele passa a procurar maneiras de amenizá-la. Diz-se o "Curador Ferido" porque Quiron passa a ter a capacidade de cuidar de outras pessoas porque ele descobre o antídoto mas e, além disso, possui a empatia de saber como é sentir aquela dor. Por isso, é a simbologia de uma dor que sofremos e que temos que buscar ativamente os antídotos para amenizá-la. Em termos de personalidade, os aprendizados do caminho de nossa maturidade fazem com que possamos viver de uma maneira cada vez melhor.
ASTROLOGIA COMO FONTE DE CONHECIMENTO NÃO DETERMINISTA
A posição de Quiron em cada signo ou casa astrológica sinaliza o local das feridas, assim como outros planetas falam sobre demais aspectos de nossa vida. É comum para quem não conhece a astrologia com um pouco mais de profundidade, questionar até que ponto os astros influenciam o comportamento humano e a dinâmica da matéria na terra (marés, crescimento das plantas). Independente desta questão, a astrologia vem construindo um vasto conteúdo sobre as personalidades e dinâmicas humanas ao longo de milhares de anos de aprimoramento. Por isso, mesmo que você não conheça seu mapa astral, pode simplesmente se interessar por um tema explicado pela via astrológica e entender mais sobre ele o ajudará em seu autoconhecimento.
A reconhecida astróloga Claudia Lisboa explica que hoje em dia não existe mais “eu sou assim porque sou de tal signo”, na verdade pode-se dizer “eu sou de tal signo porque sou assim”. Ou seja os arquétipos astrológicos nos ajudam a nos entender em um processo que deve passar pelo nosso discernimento, e não nos classificar.
Se você quiser saber onde Quiron se localiza em seu mapa natal acesse astro.com
QUIRON EM LIBRA
A falta de ponderação traz impulsividade, irracionalidade, imprudência. Este é o lugar temido quando se tem Quiron em libra. Este posicionamento não confere a falta de ponderação mas sim o medo desta falta, que tem por trás a dúvida na própria capacidade em ser justo e racional. Por isso, pode acontecer um excesso de diplomacia e cuidado no tratamento das relações e no juízo de situações pelo medo de cometer imprudências.
A energia libriana confere a habilidade em tomar para si as necessidades alheias. Isso não significa abandonar as suas próprias necessidades em detrimentos das do outro. Mas esta tendência acontece neste Quiron, o que pode causar uma mistura, ficando difícil discernir as individualidades.
Acontece que em nossas relações estamos o tempo todo sujeitos a cometer falhas com o outro, porque só temos acesso direto às nossas demandas e não as do outro. E quando nós achamos que podemos sempre estar numa posição imparcial, neutra, sempre prudente, ficamos hipersensíveis a criticas, tendendo a encarar as críticas como ataques pessoais, em uma postura defensiva.
Nesta dinâmica de busca exacerbada por atender as necessidades alheias pode existir uma busca por complementação, de maneira a estabelecer papéis opostos com o parceiro como domínio e dependência.
Neste Quiron, as relações são importantes, mas a solidão também. E como há o medo de ser imprudente com as vontades do outro, a necessidade de solidão pode ser relegada e escondida.
O CAMINHO DO APRENDIZADO – CURANDO A FERIDA
A fluência dos relacionamentos acontecem em três passos que, logicamente, na complexidade da vida, se misturam e alternam-se: manifestar sua vontade; enxergar a vontade do outro; e procurar a confluência entre ambas. Neste Quiron é necessário que aprender a validar a manifestação e a busca da satisfação das suas necessidades. É o reconhecimento de que seus desejos não te afastam de sua capacidade de prudência. Não é possível eliminá-los, então eles não devem ser suprimidos ou ignorados, mas incluídos nos relacionamentos.
Já que só temos acessos as nossas demandas e não as do outro, é sempre necessário atualizar-se do outro, num constante ajuste da relação. E esse processo acontece nas ações, no encontro entre as manifestações das duas pessoas. As ações por sua vez tem origem no interior de cada uma dos envolvidos, contendo suas necessidades e tendências. E é neste encontro que se enxerga o outro como ele é e está. A partir deste reconhecimento, então se pode fazer ajustes para o que é melhor para os dois. Por isso as relações pressupõem agir a partir das necessidades particulares, e só a partir de quando elas emergem à superfície, aos olhos do outro, é que podemos ponderar o que é possível ser satisfeito. Por isso neste Quiron é preciso aprender a mostrar-se da maneira que se está, e não renegar esta parte, pois a neutralidade é nada menos que impossível.
Todo o relacionamento se faz e acordos que existem no silêncio. Mesmo que nunca se tenha falado sobre eles, eles regulam a forma com que uma pessoa lida com a outra. E isso tem que ser constantemente atualizado na medida em que acontecem mudanças no contexto de vida ou mesmo mudanças pessoais em cada um dos parceiros. Até na rotina diária da convivência variações acontecem. É preciso enxergar com naturalidade os pedidos e demandas do parceiro por alguma necessidade de atualização, para que o relacionamento acompanhe estas variações, e não levar esta demanda como uma ofensa pessoal.
A solidão vai servir para aprendizados, um espaço sem estímulo, em que você está somente consigo, então pode reconhecer melhor sua individualidade. E você deve atender esta necessidade quando ela existir, e não encará-la como uma contradição à força do laço que mantém seus relacionamentos, mas uma necessidade de pausa para reconexão. Se essa necessidade for ignorada ela pode ganhar mais força e, aí sim, os relacionamentos ficam suscetível a atitudes extremas que podem causar rompimento.
► Listen on DSound
► Listen from source (IPFS)