Fonte: Divulgação (El País)
Sinopse: Hannah é uma mulher de terceira idade que se divide entre as aulas de teatro, a natação e o trabalho como empregada doméstica. Quando o marido vai preso, ela não tem alternativa a não ser a solidão, por isso tenta refazer laços perdidos com descendentes, mas há um segredo na família que dificulta seu relacionamento com terceiros.
Envelhecer é uma dádiva que todos nós deveríamos aprender a cultivar e aceitar... Afinal, nem todos são sortudos o suficiente para chegar até lá, não é? Mas, uma vez que se chega nesse estágio da vida, até onde vale à pena continuar quando à vida te pega de jeito e te faz ficar sozinho e sem rumo para dar os próximos passos? Em Hannah, o foco é exatamente esse o futuro, os desdobramentos e os impactos que a terceira idade pode trazer.
Fonte: Divulgação (The Experiment)
Charlottle Rampling estrela (de maneira surpreendente e com uma qualidade incontestável) este drama com um poder de expressão fácil absurdo. O filme é praticamente não verbalizado e muito mais focado em olhares ou semblantes, mas o roteiro é cheio de simbolismo, forte e consistente o suficiente para passar a sua mensagem onde a solidão é a simples e mais verdadeira (e até cruel, em diversos momentos) das protagonistas.
Ao longo da história, nos deparamos com a rotina de uma mulher que ao se ver obrigada a viver uma nova vida, tem que se readaptar em uma fase onde ela não mais se sente motivada para tal. Apesar de suas atividades diárias (algo que deveria animá-la), ela vive um clima de monotonia absurdo e ao tentar se reconectar com seu passado (numa busca por superação e aceitação), ela mergulha ainda fundo em águas misteriosas.
Fonte: Divulgação (Time)
Lento em seu desenvolvimento (porém sempre assertivo em seus caminhos), o filme pode afugentar aquele público mais "impaciente". No entanto, quem se deixar levar pela narrativa e olhar nas entrelinhas da história (ainda que isso demore a acontecer... porque eu mesmo me senti assim antes de mudar de opinião), irá presenciar uma rica perspectiva relacionada ao poder que a velhice trás e principalmente, o quanto ela é importante para todos que não a temem (e simplesmente a aceitam... como deveria ser).
Reflexivo desde as suas primeiras cenas, o filme impressiona pela tempestiva calmaria que desperta com o passar de sua projeção. Ao passo que a narrativa se ramifica, vários pontos de reflexão são automaticamente oferecidos ao público, que por sua vez, ao optar por destrinchá-los irá ter material o suficiente para um ótimo debate... Não apenas pela questão da velhice em si - algo que naturalmente já é muito desafiador -, mas em como essa fase da vida também é responsável por provocar mudanças em muitas outras pessoas.
Fonte: Divulgação (Hollywood Reporter)
Dirigido por Andrea Pallaoro de uma forma bem intimista (fazendo com que o público sinta-se parte da construção narrativa), a arma mais poderosa utilizada por ela é o silêncio que se faz presente em grande parte do filme. Porém, há um grau ensurdecedor relacionado a esse aspecto, porque poucos filmes utilizaram-se de um silêncio que gritasse tão alto na tela e ainda sim, deixasse no ar tantas dúvidas... Coisas da vida que nem sempre podem ser explicada da maneira que nós queremos ou precisamos.
Contando com uma fotografia bem posta e uma trilha sonora que ataca nos momentos certos, a qualidade do filme fica ainda mais redonda e torna a experiência de assisti-lo em algo ainda mais importante e prazeroso.
O ritmo meio que sufoca (no sentido de realmente incomodar o público) é aliado a uma tônica pungente (aqui vale destacar uma reconciliação de laços afetivos e também, uma reinserção social) que centra a trama de uma maneira singela, mas que esconde muita brutalidade em sua realidade, mostrando - dentre outros prismas - o quão desumano uma ser humano pode ser.
Fonte: Divulgação (IndieWire)
Hannah é aquele tipo de filme que não pode ser apenas assistido (principalmente se a sua intenção for apenas matar o tempo), mas sim, apreciado e também sentido em seus mais mínimos e grandiosos detalhes porque há muita beleza na velhice... Muitas pessoas apenas precisam mudar a sua maneira de vê-la e apreciá-la da melhor maneira possível.
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