O objetivo do artigo de hoje não tem como objetivo provar a existência de Deus, isto seria tolo e sem o menor sentido visto que crer em uma entidade divina é mais um ato de fé do que propriamente racional, provar algo em que se dever acreditar de forma incondicional faz perder o motivo de existir da religião.
Portanto, hoje pretendo realizar uma conversa filosófica para realizar uma verdadeira investigação ontológica não apenas sobre o conceito de Deus mas sobre o próprio homem, sua natureza humana e necessidades.
Através de uma longe reflexão, que venho fazendo já faz um bom tempo cheguei na conclusão de que deus é possível, no entanto, reformulei seu conceito trazendo uma repaginação por que se entende sobre deus.
Primeiramente se Deus existe não é aquele ser mitológico tradicional imaginado pela maioria das religiões, que consiste em uma entidade dotada de vontade própria e até mesmo em alguns casos dotado de atributos físicos (como por exemplo a típica figura de Zeus, que vem sendo adaptada para a visão judaica-cristã).
Dentro desse conceito considerei Deus como uma conjectura humana, isto é mero fruto da imaginação, que surge diante da necessidade de saciar a curiosidade humana pré-histórica pois o homem, em seus primórdios, era incapaz de explicar certos fenômenos simples (como raios e a noite), diante de sua ignorância e inexperiência (isto é a falta de experimentação e suposições) o homem chegou na única possível conclusão: interferência divina.
Mas veja bem, ser imaginário não torna Deus falso, mas apenas admitimos que ele existe apenas no mundo das ideias (e aqui vale uma leitura de Platão), não existindo fisicamente apenas como conceito, desta forma para que exista basta que alguém creia no seu conceito de divindade uma vez que está baseado na fé.
Deus, então, foi "criado" pelo homem e para o homem, foi pensado dentro do ponto de vista humano, pois tudo que há no mundo é percebido dentro da intuição humana, isto é percebemos o mundo dentro de nossa perspectiva racional e emocional.
Criado entre aspas por falta de expressão melhor, não se trata de uma invenção racional mas sim um fenômeno espontâneo da psique humana, em outras palavras, a existência de deus faz parte da natureza humana, de modo que podemos dizer que não existe o "SE" deus não existisse, porque é impossível imaginar uma sociedade, no passado ou no futuro, que não tenha criado sua mitologia particular.
E assim o é porque até certo ponto Deus é necessário para preencher um vazio psicológico humano, para suportar as dores da vida é intrinsecamente necessário algo divinamente superior para garantir que tudo está no caminho correto e que basta seguir certas regras, de modo que o homem não precisa ser o único responsável pelo seu próprio caminho, tornando a trajetória de vida mais tolerável.
Seria falso admitir que na medida que a sociedade fica mais complexa, e a vida mais garantida (devido a falta de ameaças eternas) deus tornaria menos necessário, na verdade a necessidade de deus é apenas realocada.
Conforme a sociedade avança a vida cotidiana se altera, mudando a realidade do homem muda-se suas necessidades, logo deus torna-se necessário por outros motivos e atendendo outras demandas. Em nossa atual modernidade líquida Deus é mais necessário por motivos psicológicos do que propriamente para garantir sensação de segurança, como era em seus primórdios.
E então podemos chegar em outra conclusão, se Deus é um fenômeno natural não racional humano sendo elaborado pela percepção e intuição humana irá ser alterado conforme as mudanças que o homem e sua sociedade sofre no tempo, de modo que podemos dizer que este ser divino é mutável, efêmero e dinâmico.
Isto se comprova se analisarmos a diferença do que se entendia sobre Deus no velho testamento ou sobre os deuses da mitologia grega, um ser vingativo, cruel, rígido e violento, e comparado ao atual estado da religião no ocidente, onde apresenta-se um ser divino mais compreensível, tolerante, baseado no amor incondicional.
Fique livre para discordar, até porque sendo o homem um ser intelectual e racional é completamente natural, diante da individualidade da percepção humana, que haja diversos entendimentos sobre o divino.
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