De forma resumida, e bem resumida mesmo, o homem, como indivíduo, luta a favor de uma coisa: LIBERDADE.
Toda ação intelectual, tanto doutrinária como prática, tem como função primordial conquistar mais liberdade que no dia anterior, tanto de forma coletiva como individual. A história da humanidade é marcada por lutas contra Estados opressores, pode até se dizer que a luta pela liberdade é uma condição humana, tal como qualquer outro instinto, algo inerente ao ser humano.
E não é exagero dizer que o homem sempre buscou ser mais livre e menos escravo, nos primórdios viu intuitivamente a necessidade de viver em sociedade, para conjuntamente se proteger de perigos externos, no iluminismo percebeu a importância de limitar o poder do rei, no período pós-guerra mundial ficou aparente a relevância da garantia de direitos humanos diante da miséria da guerra e dos absurdos praticados pelo nazismo/fascismo.
A pós-modernidade (ou modernidade líquida como prefere Bauman) entende que a sociedade nunca conhecerá um cenário onde a liberdade seja plena, ser totalmente livre não passa de uma utopia, no entanto configura como um ideal a ser perseguido, é um princípio que molda a sociedade.
Portanto, a sociedade civil cria mecanismos e filosofias sobre as relações humanas com o objetivo de ter uma sociedade política e um Estado menos opressoras, mais solidários e capazes de cumprir com a sua função social: atingir o interesse comum e proteger o cidadão (pleonasmo proposital para melhor entendimento).
Assim, caminha-se para uma sociedade mais pacífica, mais democrática e justa, menos opressora, violenta e invasora.
Mas cadê o paradoxo? Calma, caro gafanhoto.
Você verá que o paradoxo é bem atual com nosso cenário político. O assunto corrupção está popular, todos, o quase, mostram uma opinião contrária aos abusos do Estado, defendem um Estado mínimo, livre de corruptos, com uma carga tributária baixa.
Apesar do sentimento anticorrupção estar forte pouco se vê de efetivo contra a velha política, e isso vem bem a calhar com o que Bauman ensina em "Modernidade Líquida", o autor afirma que em uma sociedade de indivíduos o indivíduo está em contraste com o cidadão.
Segundo o autor, a liberdade possuí um custo, o qual nem todos estão dispostos a pagar, assim, o paradoxo ocorre quando o ser humano quer ser livre mas não quer lutar ou não quer sofrer as consequências de sua liberdade.