Esse filme que vou apresentar superou as minhas expectativas. É um drama que faz uma crítica ao racismo, aborda o poder da amizade... trazendo, como plano de fundo, cenas de humor, que servem pra conferir maior leveza à trama. Essa leveza também é conferida pela própria trilha musical do filme... inspirada na música do personagem principal, Dr. Donald Shirley.
O plano de fundo da história traz uma forte dualidade entre o racismo (que permeava as relações na época, ainda de forma bastante explícita) e, por outro lado, a relação de respeito e fortalecimento de laços de relações humanas em outras relações. Esse filme conta a história real de um exímio pianista, amante da música clássica. Don Shirley, que viveu entre os anos de 1927-2013 e gravou entre a década de 50 e 80.
A história se passa em 1962. No decorrer de sua carreira, o personagem principal enfrentou dificuldades por ser negro e músico amante da música clássica e norte-americana. O filme tem como foco dois pontos principais... A relação entre o pianista e os desafios de seguir a sua carreira em um contexto de opressão ao negro e a relação entre o pianista e o seu motorista, que tinha uma personalidade que contrastava bastante com a sua. Esse filme fala sobretudo sobre o drama de dois personagens que precisam aprender a lidar com suas divergências e com as demais situações externas que aparecem no caminho. À princípio, não havia visto com bons olhos o fato de a maior parte das cenas possuírem apenas dois personagens... Mas em momento algum isso compromete a trama... muito pelo contrário. Todas as cenas contribuem de forma brilhante para uma correspondência com a história real, para uma inteligente construção crítica em relação ao racismo, como plano de fundo, e para uma abordagem bastante comovente sobre a construção da amizade, do respeito, da solidariedade e da tolerância nas relações humanas.