É sabido que a Educação Sexual é dada de forma transversal às disciplinas, não transparecendo a devida pertinência, continuando a ser um tema tabu na maior parte das escolas, principalmente questões como a orientação sexual e questões de género. A intimidade e os afetos também não são focados como parte intrínseca da sexualidade, sendo a escola o sítio propício para aquisição de conhecimentos.
Desta forma e enquanto Educadora para a Saúde, parece-me importante abordar estes temas, sendo que o artigo de hoje será focado na Orientação Sexual.
Com as mudanças biofisiológicas, psicológicas e sociais verificadas no período da adolescência, vai-se produzir outra importante mudança no adolescente: a especificação da orientação sexual (López Furtes, 1998). Podem-se considerar segundo os mesmos autores, as seguintes formas de orientação sexual: heterossexual, homossexual e bissexual.
Os indivíduos são heterossexuais quando se sentem atraídos por pessoas do sexo oposto; homossexuais quando se sentem atraídas por pessoas do mesmo sexo, bissexuais quando se sentem atraídos sexualmente por pessoas de ambos os sexos, isto é, por pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto; são assexuais quando carecem de desejo sexual, nos parafilicos a sua atração sexual é dirigida para objetos não humanos (animais) e para crianças menores (Lopes e Furtes, 1998).
Foi Jacques Lacan o primeiro psicanalista a aceitar a homossexualidade como uma variante da sexualidade humana (Roudinesco & Plon, 1998).
Schering e Marinho (2001) refere que somente uma educação que respeite a diversidade cultural, étnica e sexual, guardando as especificidades de cada ser humano, favorecerá o desenvolvimento das capacidades individuais, de uma auto estima saudável, de oportunidades iguais no trabalho e na vida social. Posto isto, para Meneses (1990) a construção de uma identidade, tarefa que marca o período da adolescência, implica, na perspetiva psicanalítica clássica, a rutura com o passado, rutura de identificações e de relações naturalmente conflituosas.
Por isso é preciso romper com estes preconceitos e estigmas de forma a criar uma sociedade respeitosa e compreensiva, sendo a fase da adolescência crucial para esta aquisição de valores e educação da sexualidade.
Obrigada e não percam o próximo artigo que será sobre a Intimidade e Afetos!
Referências Bibliográficas
└ López, Félix; Fuertes, Antonio (1998)-Parra Comprender La Sexualidad. Pampelona, Editorial Verbo Divino;
└ Meneses, Isabel (1990). “0 Desenvolvimento Piscossexual”. In Campos, B. Y.Psicolgia do Desenvolvimento e Educação de Jovens. Lisboa, UA;
└ Roudinesco, E. & Plon, M. (1998). “Dicionário de Psicanálise”, RJ, Jorge Zahar;
└ Schering e Fundação Roberto Marinho (2001). “Sexualidade: prazer em conhecer”. CONSED.