Vendo o tipo de coisa às quais esse menino tinha acesso, como a mochila Xbox, laptop, smartphone, entre outros, somado a foto do quarto do menino com uma certa quantidade de itens que em meus preconceitos me fariam imaginar que pertençam a um jovem animado e não a um maníaco homicida em busca de vítimas.
Fora que na foto do quarto do jovem há um retrato na parede que, presumindo ser dele, dificilmente se enquadraria nos ideais de pureza racial dos nazistas.
Esse tipo de contradição onde pessoas de origem miscigenada aderindo a ideologia nazista me lembrou a ideia da metamorfose ambulante de Raul Seixas. Mas nesse caso em particular, eu chamo de contradição ambulante.
Talvez o centro da questão não seja a ideia de pureza racial, mas sim a ideia de se fazer parte da equipe dos vilões em sua narrativa. Em quase todas as narrativas romantizadas temos um núcleo de heróis virtuosos em todos os sentidos e amados por todos enfrentando um grupo de vilões odiados. Quando a narrativa se inspira na realidade, se utiliza do nazismo como inspiração para a Legião do Mal porque do ponto de vista narrativo, nazistas são vilões perfeitos na História da Humanidade, onde existe uma expectativa moral de abominar eles e suas ideologias. Talvez o adolescente em questão se sinta odiado e por isso se identifique com outros grupos odiados, tentando ser parte desses, com outros adolescentes em situação mental semelhante incentivando essa mentalidade.
Mas não é só entre os nazistas que ele se identificaria, mas também em outro grupo abominado mais contemporâneo: o dos assassinos-suicidas que atacam escolas.
Não posso afirmar que esse caso seja uma tentativa de reescrever a própria narrativa como vilão, mas acredito que essa deveria ser uma possibilidade psicológica a ser investigada.
Fonte: O Dia
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