I spent a good part of my teenage years watching hours of clips of my favorite bands on Youtube and I loved the freedom the old internet gave us, even though the connection was so slow you could barely feel the vibe of the songs. The only ad appeared for a few seconds at some point in the video, without audio, without pausing the video and we could quickly unsubscribe. Years later came the first Youtubers and it was fun to follow some, with content usually fortnightly. In this part, there was not so much diversity, but it was from these pioneers that YouTube, in my view, began to decline.
I have a 06-year-old daughter and she follows some child YouTubers, which I don't like, but I don't completely ban them, because I'm always following what she watches and I don't leave them for a long time. But the other day I was cleaning the house and I heard some scandalous male screams coming from the TV and I went to check it out… She was watching a video of a 40 year old man imitating emojis. Just that, an adult doing an aberration like this and when I saw the amount of views: 23 million.
23 million views to an effusive, rude, sick man imitating emojis from an app for 7 minutes and earning thousands of bucks from it. I was so stunned that I blocked the channel and denounced it, but first I did one more research and saw that this man lives in Spain and is sponsored by his viewers, posting videos every day and with such weird content that it's not even worth commenting. And the worst: for children.
However, I know he is not the only one. There are numerous channels aimed at children with completely obsolete content: children buying school supplies, adults entering plasticine pools, encouraging unbridled consumption and a life that most children in our country will manage to have: trips to Orlando and the Maldives, ostentation with newborn dolls and other toys that cost more than a salary, 11-year-old child with IPhone 12. And the worst thing to know, as in the case of the man imitating emojis, is that all this luxury is sponsored by children who watch them! There's even a YouTuber that my daughter watched, who, in the first videos on the channel, you can see that she lived in a simple, ordinary house… Then, with 10 million followers, she started living in a mansion. And that was just a case that we observed...
I know these are not recent cases, our children have been bombarded with these nonsense intensely in recent years, but in recent weeks I have noticed how this is at a completely unhealthy level, with the growing dumbing down of both who produces this content and who consumes them.
I won't go into other aspects like ad videos in the middle of the 2 hour long videos (imagine a two hour coach interview advertisement in the middle of the recipe video you researched) and related standard videos.
The internet itself has turned into a bottomless pit.
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Eu passei boa parte da minha adolescência assistindo horas de clipes das minhas bandas favoritas no Youtube e amava essa liberdade que a antiga internet nos dava, mesmo que a conexão era tão lenta que mal dava para sentir a vibe das músicas. O único anúncio aparecia durante poucos segundos em algum momento do vídeo, sem áudio, sem pausar o vídeo e rapidamente podíamos anular. Anos depois vieram os primeiros Youtubers e era divertido acompanhar alguns, com conteúdos geralmente quinzenais. Nessa parte, não havia tanta diversidade, mas foi a partir destes pioneiros que o Youtube, ao meu ver, começou a decair.
Eu tenho uma filha de 06 anos e ela acompanha alguns youtubers mirins, dos quais eu não gosto, mas não proíbo completamente, pois sempre estou acompanhando o que ela assiste e não deixo por muito tempo. Porém, dia desses, eu estava limpando a casa e ouvi uns gritos escandalosos de homem vindo da TV e fui conferir… Ela estava assistindo um vídeo de um homem de uns 40 anos imitando emojis. Apenas isso, um adulto fazendo uma aberração destas e quando vi a quantidade de views: 23 milhões.
23 milhões de acessos a um homem efusivo, tosco, doente, imitando emojis de um aplicativo durante 7 minutos e ganhando milhares de dinheiros com isso. Fiquei tão perplexa que bloqueei o canal e denunciei, mas antes, dei mais uma pesquisada e vi que este homem mora na Espanha e é patrocinado por seus espectadores, postando vídeos todos os dias e com conteúdos tão esdrúxulos que nem vale a pena comentar. E o pior: para crianças.
Porém, sei que ele não é o único. São inúmeros canais direcionados para o público infantil com conteúdos completamente obsoletos: crianças comprando material escolar, adultos entrando em piscinas de massa de modelar, incentivo ao consumo desenfreado e a uma vida que a maior parte das crianças do nosso país vai conseguir ter: viagens à Orlando e às Maldivas, ostentação com bonecas newborn e outros brinquedos que custam mais que um salário, criança de 11 anos com IPhone 12. E o pior é saber, como no caso do homem imitando emojis, é que todo esse luxo é patrocinado pelas crianças que os assistem! Inclusive, tem uma youtuber que minha filha assistia, que, nos primeiros vídeos do canal, percebe-se que morava em uma casa simples, comum… Depois, com 10 milhões de seguidores, ela passou a morar em uma mansão. E isso foi apenas um caso que observamos…
Sei que não são casos recentes, nossas crianças estão sendo bombardeadas com esses absurdos intensamente nos últimos anos, mas nas últimas semanas que tenho percebido como isso está num nível completamente doentio, com o emburrecimento cada vez maior tanto de quem produz estes conteúdos quanto de quem os consome.
Não vou entrar em outros aspectos, como vídeos de anúncios no meio dos vídeos com 2 horas de duração (imagina uma propaganda de entrevista com coach de duas horas de duração no meio do vídeo de receita que você pesquisou) e vídeos relacionados padronizados.
A internet, em si, virou um poço sem fundo.