This publication was also writen in SPANISH and PORTUGUESE.
In the world ranking, the Brazilians remain the third largest consumer of beer (with diverse production techniques). We are only behind the Chinese and the Americans, respectively. In numbers, about 7.9% of global consumption comes from Brazil. This market is strongly driven not only by climatic factors, but also by the level of local production (which is increasingly distinct), in addition to high consumption within the market itself.
The result of constant innovation (on the part of manufacturers) and devotion (on the part of consumers) is billions of liters produced annually, which end up being "converted" into a lot of money. In the midst of this dynamic, we have the gourmetization process of this product, which has been gaining new versions. This movement is made thinking about and working in favor of a new wave of consumers, who no longer have the same demands as other people.
These changes reshape social interactions, to some degree that may not even be so easily noticeable, but I have seen it happen (both from afar and up close). Just to mention one example, premium or flavored beers are consumed more at more elite events... While more common beers "embrace" the less fortunate (financially speaking) population better. This same product is now treated like "water" and "oil".
Although many people don't realize it (or don't want to accept this reality), these changes bring about segregations that go against the essence of what beer should provide: genuine interaction between consumers; but now, it seems, it is financial status that defines where, how, and what types of beers mix with the interests of their consumers. It's almost like a "code of etiquette", where each product is rebranded according to class.
The beer "tribes" seem unwilling to mix, thus favoring greater (and possibly more complete) interaction only among their own members. Looking more closely, we are also talking about money, and how - once again - this currency for acquiring goods and services dictates the "rules of the game", bringing to the discussion table topics that are often not even considered a dilemma in modern society (even though they don't actually seem to be one).
El impacto social de la "gourmetización" de la cerveza.
En el ranking mundial, los brasileños sigue siendo el tercer mayor consumidor de cerveza (con diversas técnicas de producción). Solo lo superan chinos y americanos, respectivamente. En cifras, alrededor del 7,9% del consumo mundial proviene de Brasil. Este mercado está fuertemente impulsado no solo por factores climáticos, sino también por el nivel de producción local (cada vez más diferenciado), además del alto consumo interno.
El resultado de la constante innovación (por parte de los fabricantes) y la devoción (por parte de los consumidores) son miles de millones de litros producidos anualmente, que se “convierten” en grandes sumas de dinero. En medio de esta dinámica, se produce la gourmetización de este producto, que ha ido adquiriendo nuevas versiones. Este movimiento se realiza pensando en una nueva ola de consumidores, cuyas exigencias ya no son las mismas que las de antes.
Estos cambios transforman las interacciones sociales, en cierta medida, aunque a veces no sean tan evidentes, pero lo he presenciado (tanto de lejos como de cerca). Por mencionar solo un ejemplo, las cervezas premium o con sabor se consumen más en eventos de élite, mientras que las cervezas más comunes son más accesibles para la población con menos recursos económicos. Este mismo producto ahora se trata como si fuera “agua” o “aceite”.
Aunque muchos no se den cuenta (o no quieran aceptar esta realidad), estos cambios generan segregaciones que van en contra de la esencia de lo que la cerveza debería ofrecer: una interacción genuina entre los consumidores. Ahora, al parecer, es el estatus económico el que define dónde, cómo y qué tipos de cervezas se mezclan con los intereses de sus consumidores. Es casi como un "código de etiqueta", donde cada producto se etiqueta según la clase social.
Las "tribus" cerveceras parecen reacias a mezclarse, favoreciendo así una mayor (y posiblemente más completa) interacción solo entre sus propios miembros. Si analizamos más detenidamente, también hablamos de dinero, y de como - una vez más - esta moneda de cambio para adquirir bienes y servicios dicta las "reglas del juego", trayendo a la mesa de debate temas que a menudo ni siquiera se consideran un dilema en la sociedad moderna (aunque en realidad no lo parezcan).
O impacto social da “gourmetização” da cerveja.
No ranking mundial, os brasileiros se mantêm como a terceira população que mais consome cerveja (com técnicas de produções diversas). Nós perdemos apenas para os *chineses e americanos, respectivamente. Em números, cerca de 7,9% do consumo global vem do Brasil. Esse mercado é fortemente impulsionado não apenas por questões climáticas, mas também pelo nível de produção local (que é cada vez mais distinto), além de um alto consumo dentro próprio mercado.
O resultado das constantes inovações (por parte dos fabricantes) e devoção (por parte dos consumidores) são bilhões de litros produzidos anualmente, que acabam sendo “convertidos” em muito dinheiro. No meio dessa dinâmica, temos o processo de gourmetização desse produto, que vem ganhando novas versões. Esse movimento é feito pensando e trabalhando a favor de uma nova leva de consumidores, que já não tem mais as mesmas demandas de outras pessoas.
Essas mudanças remodelam as interações sociais, em algum grau que pode até não ser tão facilmente perceptível, mas eu já vi isso acontecer (tanto de longe, quanto de perto). Apenas para mencionar um exemplo, cervejas premium ou saborizadas são mais consumidas em eventos mais elitizados... Enquanto as cervejas mais comuns, “abraçam” melhor a população menos afortunada (financeiramente falando). Esse mesmo produto agora é tratado como “água” e “óleo”.
Ainda que muitas pessoas não percebam (ou não queriam aceitar essa realidade), essas mudanças trazem segregações que vão de encontro a essência do que a cerveja deveria proporcionar: interação genuína entre os consumidores; mas agora, ao que parece, é o status financeiro que define onde, como e quais tipos de cervejas se misturam aos interesses dos seus consumidores. É quase como um “código de etiqueta”, onde cada produto é remarcado de acordo com classes.
As “tribos” cervejeiras parecem não querer se misturar, favorecendo assim uma maior (e possivelmente mais completa) interação apenas entre os seus próprios integrantes. Olhando mais de perto, estamos falando também sobre dinheiro, e como sobre - uma vez mais - essa moeda de troca para aquisição de bens e serviços dita as “regras do jogo”, trazendo para a mesa das discussões temas que muitas vezes sequer são considerados como um dilema na sociedade moderna (ainda que de, de fato, não pareçam ser um).