Publicado en Español, Inglés y Portugués.
No hacen falta informes reservados ni filtraciones anónimas para entender qué ocurrió con los inmigrantes durante el primer mandato de Donald Trump. Bastaba con mirar los titulares, las fotografías de niños en jaulas metálicas, los testimonios de madres que perdieron el rastro de sus hijos en la maraña burocrática de una política que, según sus propios diseñadores, buscaba ser disuasiva. Y lo fue. Pero no del modo que imaginaban.
La política de "tolerancia cero" de 2018 no fue un exceso aislado ni un error logístico. Fue la expresión más cruda de una concepción de gobierno que convirtió el sufrimiento humano en instrumento de política pública. Miles de familias fueron separadas en la frontera sin que existiera un registro que permitiera después reunificarlas. Organismos internacionales de derechos humanos, acostumbrados a documentar violaciones en países con gobiernos autoritarios, se vieron en la posición inédita de señalar a Estados Unidos por prácticas que calificaron como trato cruel e inhumano.
Luego vino el programa "Quédate en México", que devolvió a más de sesenta mil solicitantes de asilo a ciudades fronterizas donde la violencia y el secuestro eran moneda corriente. Solicitantes de asilo, en teoría protegidos por el derecho internacional, quedaron varados en tierra de nadie. Los expertos en derecho migratorio lo dijeron con claridad: no era un problema de procedimiento, era un diseño deliberado para hacer imposible el acceso al asilo.
Mientras tanto, los centros de detención del Servicio de Inmigración y Control de Aduanas (ICE, por sus siglas en inglés) se llenaron más allá de su capacidad. Los informes documentaron hacinamiento, atención médica inexistente, brotes de enfermedades y muertes que rara vez llegaban a los titulares. Mientras que en las conferencias de prensa, desde la Casa Blanca, se hablaba de invasiones, de delincuentes, de animales. El lenguaje no era un adorno, era parte de la política.
Hoy, años después, lo más perturbador quizás no sea la crudeza de aquellos episodios, sino la constatación de que no fueron excepciones. Y que lamentablemente se han areeciado en este, su segundo mandato. Pero para relatar esto que aun esta en curso, debe ponerse fin a esa dictadura xenofóbica y racista, solo entonces podremos hacer un balance y ver la catástrofe que quedará escrita en la historia de la peor manera.
La historia no juzgará solo a quienes diseñaron esas políticas, sino también a quienes las permitieron. El muro, al final, no era de hormigón. Era de indiferencia.
ENGLISH
No classified reports or anonymous leaks are needed to understand what happened to immigrants during Donald Trump's first term. You only had to look at the headlines, the photographs of children in metal cages, the testimonies of mothers who lost track of their children in the bureaucratic maze of a policy that, by its own designers' admission, sought to be dissuasive. And it was. But not in the way they imagined.
The "zero tolerance" policy of 2018 was neither an isolated excess nor a logistical error. It was the crudest expression of a governing philosophy that turned human suffering into an instrument of public policy. Thousands of families were separated at the border with no records kept that would later allow them to be reunited. International human rights organizations, accustomed to documenting violations in countries with authoritarian governments, found themselves in the unprecedented position of calling out the United States for practices they classified as cruel and inhuman treatment.
Then came the "Remain in Mexico" program, which sent more than sixty thousand asylum seekers back to border cities where violence and kidnapping were commonplace. Asylum seekers, theoretically protected by international law, were left stranded in no man's land. Immigration law experts stated clearly: this was not a procedural issue, but a deliberate design to make asylum access impossible.
Meanwhile, Immigration and Customs Enforcement (ICE) detention centers became overcrowded beyond capacity. Reports documented overcrowding, non-existent medical care, disease outbreaks, and deaths that rarely made the headlines. Meanwhile, at press conferences from the White House, officials spoke of invasions, criminals, and animals. The language was not mere rhetoric; it was part of the policy.
Today, years later, perhaps the most disturbing aspect is not the harshness of those episodes, but the realization that they were not exceptions. And that unfortunately, they have intensified in this, his second term. But to recount what is still unfolding, an end must be put to that xenophobic and racist dictatorship; only then can we take stock and see the catastrophe that will be recorded in history in the worst possible way.
History will judge not only those who designed these policies, but also those who enabled them. The wall, in the end, was not made of concrete. It was made of indifference.
PORTUGUÉS
Não são necessários relatórios confidenciais nem vazamentos anônimos para entender o que aconteceu com os imigrantes durante o primeiro mandato de Donald Trump. Bastava olhar para as manchetes, as fotografias de crianças em jaulas de metal, os testemunhos de mães que perderam o rastro de seus filhos no emaranhado burocrático de uma política que, segundo seus próprios idealizadores, buscava ser dissuasiva. E foi. Mas não da maneira que imaginavam.
A política de "tolerância zero" de 2018 não foi um excesso isolado nem um erro logístico. Foi a expressão mais crua de uma concepção de governo que transformou o sofrimento humano em instrumento de política pública. Milhares de famílias foram separadas na fronteira sem que houvesse um registro que permitisse depois reuni-las. Organismos internacionais de direitos humanos, acostumados a documentar violações em países com governos autoritários, viram-se na posição inédita de apontar os Estados Unidos por práticas que classificaram como tratamento cruel e desumano.
Depois veio o programa "Fique no México", que devolveu mais de sessenta mil solicitantes de asilo a cidades fronteiriças onde a violência e o sequestro eram moeda corrente. Solicitantes de asilo, teoricamente protegidos pelo direito internacional, ficaram abandonados em terra de ninguém. Os especialistas em direito migratório disseram com clareza: não era um problema de procedimento, era um desenho deliberado para tornar impossível o acesso ao asilo.
Enquanto isso, os centros de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) ficaram lotados além de sua capacidade. Os relatórios documentaram superlotação, atendimento médico inexistente, surtos de doenças e mortes que raramente chegavam às manchetes. Enquanto isso, nas coletivas de imprensa da Casa Branca, falava-se em invasões, em criminosos, em animais. A linguagem não era um adorno, era parte da política.
Hoje, anos depois, talvez o mais perturbador não seja a crueza daqueles episódios, mas a constatação de que não foram exceções. E que, infelizmente, se intensificaram neste, seu segundo mandato. Mas para relatar isso que ainda está em curso, é preciso pôr fim a essa ditadura xenofóbica e racista; só então poderemos fazer um balanço e ver a catástrofe que ficará registrada na história da pior maneira.
A história não julgará apenas aqueles que desenharam essas políticas, mas também aqueles que as permitiram. O muro, no final, não era de concreto. Era de indiferença.