Um dos grandes motivos para nos sentirmos alegres na terceira idade, ou melhor, na boa idade, são as lembranças das coisas boas do passado. Eu, por exemplo, tiro muito proveito disto, me pondo a sorrir e agradecendo a Deus pela Graça de me proporcionar a capacidade de vivenciá-las, parecendo recentes. Costumo dizer que ainda tenho muita lenha para queimar...
Lenha tirada do reflorestamento de árvores plantadas pelo Espírito! Parodiando meu irmão Eustáquio, ultimamente adotei até percentagem para informação da minha idade, ou seja, 10% de número inteiro. Para melhor entendimento, digo que tenho 10% de 780, ou seja 78 anos e, assim, sempre serão 10%! A matemática, da qual sou fã, me dá asas à imaginação... Não é auspicioso quando uma pessoa pode dizer que nasceu no século passado; que se lembra de quando o telefone era tocado à manivela e quando surgiu o rádio de galena? Muito bom!
Como assistindo a um filme, me vêm à mente aprendendo o B a BA e lendo o primeiro livro que tinha como personagem uma bonequinha preta; depois decorando e aprendendo a tabuada; copiando do quadro negro “pontos” de Geografia e História e probleminhas de aritmética. As horas do recreio e as refeições (feitas no fogão à lenha) saborosas da cantina com variado cardápio. Ricas vitaminas inseridas nas sopas de legumes, mingau de fubá com queijo e canjica; podia-se repetir!
Para mim está perto o passar das roupas em ferro de brasas e o clarear das noites com as lamparinas, deixando narizes pretos pela fumaça do querosene; colchão de palha; depois cama “patente” para dormir. Conforto era ter em casa um lampião, cadeira de balanço e objetos raros enfeitando a cristaleira. Nela minha vó guardava, também, e tinha até ciúme, um lindo brinquedo de carrossel que, ao girar, soava musiquinha de ninar.
Minha Mãe com seu avental de alvura incrível fazendo pastel aos domingos e meu Pai metido a fabricar nosso próprio macarrão; ficavam gostosos!
Eu tirava do “barranco” uma areia branquinha para lavar vasilha, a fim de agradar minha prima Maria.
Eu me esforçava bastante para ser hoje o que sou; um “jovem” idoso sem muita ambição, somente alegrando minha Vida, meu Coração. E como diz um personagem que as crianças gostam de ver, o Chapolin: Sigam-me os Bons!
Ari Maximiano.