Por Russell Foster Médico Consultor e Formador de Mediação Médica da #AlbertSquareMediation's - A versão Portuguesa deste blog foi traduzida por David Santiago da #AlbertSquareMediationPortugal
Para muitos de nós, que vivemos no mundo occidental, a vida no Século 21 é realmente espantosa. Estou a pensar em maravilhas da vida moderna tais como os telefones móveis/celulares e a internet, e como estes afectam as nossas vida diárias. Podemos pensar que a ficção científica tornou-se facto científico, salvo claro, quando as coisas correm mal. É aí que compreendemos o quanto estamos dependentes de caixas eletrónicas e o quanto podemos errar sem elas.
Recentemente, tive a infelicidade de perder o meu acesso à Internet em casa, pouco antes da chamada "época festiva". Embora tivesse terminado o trabalho - tenho o tipo de trabalho que não termina às 5 da tarde, e invariavelmente tenho que fazer algum trabalho em casa - ao chegar a casa depois do trabalho descobri, que a Internet “já era”, tinha deixado de funcionar, ou por outras palavras, parou simplesmente de andar. Sendo um tipo engenhoso, sei aquilo que devo fazer: carreguei em botões desliguei algumas caixas, liguei e desliguei, deixei arrefecer, voltar a aquecer e muito mais…mas sem resultado. Acabei por ligar para a auto-intitulada “linha de ajuda” (helpline), e a voz computorizada fez várias perguntas, efetuou alguns procedimentos, e assegurou-me que tudo estaria ligado e a funcionar, no prazo de dois dias.
Talvez não surpreendentemente, mas posso garantir ao leitor que as coisas não estavam ligadas e a funcionar dois dias depois. Além disso, a prometida mensagem de texto de confirmação no meu telemóvel, não se materializou (este dispositivo felizmente estava a funcionar bem).
Definitivamente não divertido, e mais uma vez, entrei em contato com a linha de ajuda, desta vez uma diferente, já que tinha um ser humano, real, no fim da linha, embora num país distante e que basicamente leu a partir de um script, fez advertências brandas, expressou "as mais sinceras desculpas" e prometeu investigar o assunto pessoalmente. E no dia seguinte alguém apareceu à minha porta (e o mais impressionante - na hora combinada) e algum tempo (duas horas) mais tarde, a ordem foi restaurada na minha rede.
Durante este tempo ligeiramente preocupante, foi muito confortante colegas, amigos e parceiros (bom, só um destes últimos), oferecerem ajuda e apoio, e pelo menos, fiquei com várias opções para voltar onde estava antes das interrupções de rede e continuar. Não posso deixar de pensar que os Beatles tinham razão (e não uma única vez) quando um deles, cujo nome começa com a letra 'R' cantou. "Sobrevivo com uma pequena ajuda dos meus amigos".
Isto fez-me pensar em muitas coisas, boas e más e não apenas sobre os incrivelmente brilhantes conjuntos populares dos anos sessenta. Enquanto as maravilhas tecnológicas tais como os telefones móveis e a internet são surpreendentes quando trabalham, quando não, surgem problemas de uma natureza e dimensão inimagináveis nos bons velhos tempos, quando tais coisas estavam ainda no “Reino da Fantasia”. Considero-me um tipo moderno, e “desempoeirado”, mas tenho que admitir que estava a começar a ficar preocupado, com o monte de coisas que precisava fazer com o acesso à internet (que comicamente, incluiam escrever blogs), estava longe de ser feito, e o tempo estava a passar.
Obviamente, o mundo tem que parar durante a “época festiva” e os meus prazos para várias coisas foram “gravados em pedra”, imutáveis, inalteráveis e se não fossem feitos, antes de o mundo parar para um dia especial, então “o destino do mundo ocidental estava marcado”. Obviamente estou a exagerar, mas tinha muitas coisas para fazer, e não ser capaz de as fazer enquanto tinha esse recurso mais precioso, o tempo livre, foi um pouco frustrante.
Suspeito que quando as coisas dão “para o torto”, como acontece muitas vezes na vida, muitas vezes reagimos sem pensar e podemos dizer e fazer coisas de que nos arrependeremos. Isto aumenta o stress, cria mais problemas e consequências muitas vezes indesejadas. Invariavelmente o melhor é esperar, pensar, refletir e raciocinar antes de dizer ou fazer algo de que nos lamentaremos. Porque uma vez, dito e feito, o mal não pode ser retratado, e resolver um “sarilho” maior é muito mais difícil do que lidar com um menor e resolúvel.
Eu sei que no meu trabalho clínico, como médico, meu papel é mais frequentemente o de um diplomata do que o de um médico. Chamado para resolver situações difíceis exige usar técnicas de resolução precoce de conflitos, usar técnicas de prática reflexiva (basicamente ponderar cuidadosamente antes de reagir) e manter a calma, para que as coisas possam ser resolvidas e a vida continuar. Conflitos de vários tipos surgem frequentemente em hospitais, e a abordagem dessas questões antes que possam ficar inflamadas e piorar, é algo com que tenho que lidar grande parte do tempo e certamente faz o trabalho clínico de rotina parecer, em comparação, simples – ou quase.
De qualquer forma, a minha epopeia de férias foi finalmente terminada sem a necessidade de violência ou derramamento de sangue, e o alívio de ser capaz de continuar e ter acesso a e-mails e à internet foi maravilhoso (verdade) e consegui despachar todo o meu trabalho sem muita angústia – bastou um serão de uma noite e a época festiva acabou por ser só isso. Afinal o atraso não tinha tido grandes consequências, e francamente, nenhuma foi importante.
A moral da história, é que as coisas podem correr mal e quando isso acontece, tente não perder a cabeça, que nem tudo está perdido - mesmo. Se descobrir que de alguma forma disse ou fez alguma coisa errada e está a enfrentar obstáculos aparentemente intransponíveis, há maneiras de resolver tais disputas. Consulte um médico (talvez não…), ou melhor ainda, um Mediador!