Fonte: Divulgação (Screen Week)
Sinopse: Homem sobrevive a um naufrágio e se vê em uma ilha completamente deserta. Ele consegue se manter, através da pesca, e tenta construir uma jangada que lhe permita deixar o local. Só que, sempre que ele parte com a embarcação, ela é destruída por um ser misterioso.
Indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação em 2017, o filme foi co-produzido pelo estúdio Ghibli (de Hayao Miyazaki, que tem em seu currículo - apenas para citar um exemplo - a famosa animação "A Viagem de Chihiro") e marcou o início da era pós-moderna do estúdio. A princípio, isso deixou muitos cinéfilos apreensivos e desanimados, mas a repaginada visual e especialmente contextual nas histórias que passariam a ser contadas iniciou a sua jornada com o pé direito.
Nesta fabulosa e hipnótica animação (em 2D, evidenciando o quanto essa técnica ainda pode ser forte no mercado cinematográfico mundial), não há como mensurar a importância de apenas um assunto em específico porque a gama de questionamentos tem várias raízes. Isso se deve ao enigmático e reflexivo roteiro, assim como a ótima direção (ambos responsabilidade do holandês Michael Dudok de Wit).
Entregando um trabalho excepcional, ele apresentam ao telespectador uma história onde o plano de fundo principal é a dinâmica estabelecida entre o homem e o meio (natureza).
Fonte: Divulgação (The Telegraph)
Sem lhe ser atribuído um nome (aliás, nenhum personagem tem nome), o protagonista da trama - incialmente sozinho, se mantendo com os recursos naturais que consegue encontrar pelo caminho - após várias tentativas de sair da ilha, logo descobre que a causa de suas tentativas frustradas é uma imensa tartaruga vermelha (animal com quem logo em seguida manterá uma relação muito inusitada).
A partir daí, começa então uma viagem poética e dinamizada pelo poder do silêncio (que se faz presente em todo o filme, pois nenhum dos personagens também tem fala). Fica totalmente evidente a ideia de que um filme não precisa - obrigatoriamente - ter falas em seu roteiro para ter uma voz.
Optando por uma intensidade no que tange ao paisagismo (apoiando-se em cores muito vibrantes e formatos lapidados com precisão), uma das coisa mais admiráveis desse filme é a excelência com a qual esse aspecto é tratado. O filme é extremamente rico em suas nuances e detalhes, tudo meio que calculado milimetricamente... Fazendo com que o telespectador embarque na história sem ter que fazer nenhum esforço para isso.
Fonte: Divulgação (Rolling Stone)
Mérito de um roteiro forte e ao mesmo tempo delicado aliado a uma direção minimalista e eficiente, é impossível não se enxergar na pele do protagonista (fazendo as adaptações espaço-temporais necessárias a realidade de cada indivíduo) na várias fases vividas por ele ao longo do filme.
Tudo é mostrado e conduzido com uma riqueza poética de detalhes impressionante, fazendo com que a admiração pela história que está sendo contada, cresça gradualmente a cada nova frame por parte do telespectador, assim como a empatia pelos personagens que são muito cativantes.
De fato, é muito fácil se envolver e se importar com tudo o que eles estão vivenciando (principalmente pela forma humanista que envolve as apresentações das cenas).
Fonte: Divulgação (The Sun)
A trilha sonora é de um requinte sem igual para animações desse tipo. Toda e qualquer nota é pontuada para fazer crescer a importância das cenas onde elas se fazem necessárias (que aliás, são tão bem editadas que faz o ritmo do filme permanecer sempre interessante e em contínua conexão com a audiência).
Poderoso pela sua relevância e extremamente pertinente pela suas mensagens (das mais simbólicas as mais intensas), "A Tartaruga Vermelha" é um filme que além de contemplar a natureza - assim como os ciclos relacionados a ela -, faz um lindo e profundo tributo à várias passagens que acontecem em nossas vidas ao longo dos anos.
Enfim, é realmente uma obra imperdível!
[ Edições anteriores da FILMOTECA ]
"Fragmentado" | "Split" (2016) / "Muito Além do Jardim" | "Being There" (1979) / "O Ritual" | "The Ritual" (2017) / "O Homem da Palha" | "The Wicker Man" (1973) / "Corra Lola Corra" | "Lola Rennt" (1998) / "Pantera Negra" | "Black Panther" (2018) / "Réquiem para um Sonho" | "Requiem For a Dream" (2000) / "O Homem da Terra" | "Man from Earth" (2007) / "A Chegada" | "Arrival" (2016)
