Fonte: Divulgação (Amazon)
Sinopse: Jonas vive em uma pequena comunidade aparentemente ideal, sem doenças ou guerras e onde todo mundo é feliz. Para que essa realidade subsista, um homem é encarregado de armazenar as más memórias, poupando os demais habitantes do sofrimento. Jonas, porém, descobre o perigoso segredo de sua comunidade e, armado com o poder do conhecimento, tenta fugir do mundo em que vive e proteger os que ama.
Quem pode ser culpado por cometer crimes quando se vive com a ausência dos diversos tipos de sentimentos que são necessários a existência plena da raça humana? Se não culpado, não há crime... E é justamente dessa forma que a comunidade futurista dessa adaptação do livro escrito em 1993 por Lois Lowry vive: aquém dos verdadeiros impactos de suas ações devido a uma massiva supressão de emoções.
Fonte: Divulgação (Washington Post)
O diretor Philip Noyce apresenta uma boa visão sobre o todo que precisa ser transmitido pelo roteiro (o que denota a sua percepção apurada para adaptações cinematográficas). De início, o filme apresenta uma faceta muito promissora e repleta de nuances a serem trabalhadas de uma forma mais profunda... Porém, é justamente nessa questão que mora a pior dificuldade do filme: a imersão dentro da própria história que precisa ser contada.
Apesar da direção correta da Noyce (sem pontos altos ou baixos... apensar linear, o que necessariamente não emplaca em algo ruim), o roteiro é muito puritano ao lidar com a complexidade que é estabelecida no primeiro ato (que aliás, consegue se ramificar através diversas vertentes... onde cada uma representa um núcleo específico da trama). Em virtude disso, não demora muito para o telespectador começar a sentir falta de um melhor desenvolvimento da trama (como se realmente estivesse faltando algo... que fato, acaba sendo uma grande verdade).
Fonte: Divulgação (Vulture)
A história, apesar de muito interessante (e com alto poder reflexivo), fica comprometida pela falta de ousadia e também pela falta de movimentação física (já que as cenas de ação praticamente inexistem em boa parte da projeção). Não que este segundo aspecto seja de suma importância para o melhoramento da trama, porém... Em consequência do ritmo lento da história, seria algo benéfico para segurar a fragilidade do roteiro.
Há diversos questionamentos muito pertinentes a qualquer sociedade, e um dos méritos do roteiro (aliada a uma boa condução argumentativa por parte da direção) é saber transmitir para o telespectador a urgência relacionada a uma sociedade que vive sendo privada de uma parte importante de seus sentimentos (afinal, ninguém é 100% bom, e muito menos tem uma vida 100% feliz). Ainda que o elenco esteja repleto de performances fracas (incluindo a participação descartável da Meryl Streep), a mensagem do filme consegue chegar até a audiência.
Fonte: Divulgação (Hollywood Reporter)
"O Doador de Memórias" não é um filme ruim, mas é bastante prejudicado pela falta de gás... Algo que parte muito pouco do roteiro e da direção, ficando a cargo de aspectos técnicos que despontam, como a fotografia bem eficiente - principalmente pelo contraste de cenários e cores, que é define o clima futurístico da abordagem dos temas - e o trabalho feito na ilha de edição (que de maneira geral, é um pontos altos para o dinamismo presente na história).
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