Eu confesso que sou um profundo admirador da ciência. Nada transformou mais as nossas vidas, e na minha opinião pra melhor, que os avanços proporcionados por ela. Se hoje temos outra visão de mundo, muito mais conhecimento, esclarecimento e tecnologia, é sem dúvidas em grande medida graças aos avanços da ciência.
Mas nem tudo são flores. Existe muita pseudociência por aí infelizmente sendo tratada como se fosse ciência verdadeira. Isso acontece muito quando há conflito de interesses entre os financiadores das pesquisas e os resultados inconvenientes delas, que nem sempre os agrada.
Um exemplo clássico disso são as pesquisas científicas na área de nutrição humana quando financiadas por grandes indústrias alimentícias.
Lá nos idos de 1950 a sociedade americana estava alarmada com o crescente aumento de doenças cardiovasculares. A suspeita principal recaía sobre o alto consumo de açúcar pela população.
Mas contrariando as suspeitas, três professores de Harvard publicaram um artigo na revista New England Journal of Medicine que praticamente redimiu a substância doce. De acordo com esse artigo, havia sim relação dos ataques cardíacos com a dieta, mas que o verdadeiro vilão seria o colesterol e as gorduras saturadas. A partir de então o açúcar foi quase esquecida como vilã, e no lugar dela a gordura passou a ocupar o lugar de vilã solitária por décadas.
Hoje já se sabe que o açúcar desempenha um papel nada desprezível nas doenças cardiovasculares, isso pra dizer o mínimo. E em 2016 pesquisadores da Universidade da Califórnia conseguiram acesso a documentos antigos que revelaram que os três professores de Harvard tinham recebido à época dos estudos que haviam divulgado nada menos que US$ 49 mil cada um, pagos por uma fundação de empresas produtoras de açúcar.
Em resumo, devemos sim ter a ciência em grande monta e respeito, pois contra fatos não há argumentos. Mas ao mesmo tempo precisamos ter um olho nos resultados dela, e outro nos financiadores das pesquisas. Pois onde há interesses financeiros envolvidos, muitas vezes as verdades científicas se transformam em verdades inconvenientes.

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