Divulgação dos “Poemas da minha gente” com “Posts” aqui no Steemit dedicados aos poetas populares da minha terra em homenagem à dedicação desta gente anónima.
Poema de hoje: Acaso
Como se o acaso pudesse ser determinado pela minha vontade,
faço da imprevisível circunstância, do lugar e do momento,
esta força decidida de apressar o tempo
e ao acaso me entregar
em si convergindo a própria vida.
Nunca pensei tanto no acaso
como se lhe quisesse razão de o ter.
Ele que não é, nem pode ser
- senão não é acaso -
mesmo que aconteça por tanto o querer.
Acaso que é uma ave que esvoaça sem lhe sabermos do regresso,
uma barca à deriva que se perde no horizonte,
a água que não se bebe e verte na fonte.
Não! Não quero que o acaso me leve
como a força do destino que se atreve
a criar-me a ilusão de uma eternidade perene.
Quero fazer do acaso a situação desejada,
o remo e a quilha que quebra a onda,
o caminho que se abre a cada passada.
Poema de: José Chocolate