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Naquela câmara que me vasculhava as entranhas, afundei-me numa saudade imensa do tempo em que me casei com a solitude e com ela tive tanta tranquilidade e bem-estar, bem sabendo o quanto vou penar outra vez até reencontrar essa companheira fiel que arrogantemente desprezei, com manias de eleita e especial.
O zumbido mudou de tom e passou a uma martelada abafada que pregava, do lado esquerdo da minha consciência, que o coração só vive feliz com verdade e reciprocidade.
Então reparei no padrão: não me querendo por companheira de vida, todos os homens que eu acreditei amar se reaproximaram uma segunda vez, como se qualquer coisa entre nós tivesse ficado por concretizar ou confirmar. E todos me trataram, no fim e até hoje, com genuína consideração.
Senti-me confusa. Se por um lado é mau - porque me bloqueia o saudável exercício do ódio libertador – por outro devia ser bom, por fazer de mim alvo de nobres atitudes. É ambivalente, agridoce.
Ao cabo duns quinze minutos, o túnel que me engoliu vomitou-me alguns centímetros e enquanto deslizava um pouco mais para fora, também se tornou mais clara a minha incapacidade para deixar ir o que morreu, fazer lutos dum passado já em fuga e pôr os olhos num amanhã por construir. Eternamente presa às segundas oportunidades (que parecendo concedidas ao outro, eu na verdade reclamava para mim), teimava ir a tempo do que se me escapava entre os dedos, incapaz de enterrar e prosseguir, voltando atrás inúteis vezes demais.
Estaquei com um solavanco, justamente quando digeria esta descoberta e não sei se por efeito do líquido que me circulava nas veias ou da radiação recebida, senti-me invadida por uma dúvida crucial: será todo o amor não correspondido uma prova de baixa estima?
Foi preciso adoecer-me o corpo, para me deparar com um exame de espírito que podia diagnosticar quais as maleitas antigas que ressoavam ainda nas minhas feridas emocionais.
Saí da sala 2 para despir a bata e retomar o visual de mulher resolvida, mas eu já entrara no alçapão que em mim se abriu, disposta a verificar com honestidade, o quanto realmente me amava, respeitava e conhecia verdadeiramente.
E vindo não sei de onde, senti que era a hora de ir conhecer o Steven.
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Se gostou este post pode ler sobre a 1ª parte aqui: https://steemit.com/portugal/@isabelpereira/exorcismo-de-2-vaga---in-o-mapa-de-autoestrada
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