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A noite estava fria.
A fadiga venceu-me sobre os lençóis e nem dou por adormecer ao som da playlist do momento. Mas sei do cuidado com que me retiras os auriculares e resguardas este corpo inerte, da friagem desconfortável mas também de todas as ameaças que o mundo tem e que (eu sei), não deixas que se acerquem de mim.
E assim eu durmo o sono dos justos que vem no final do dia ao guerreiro das muitas causas e que hoje madrugou para preparar aquele pequeno-almoço especial que reverenciava a importância da tua manhã. Em contrapartida cheguei tarde a casa e esperava-me uma massagem nos pés enquanto o micro-ondas tratava do jantar e nos deixava partilhar, a sós, as confidências do dia.
A casa que escolhemos é feita de dia-a-dia e tem janelas amplas viradas aos quatro ventos, por onde entra livre uma aragem de mudança regular, sem que nos preocupe que voem papéis ou cortinas, porque aprendemos a fluir com a sabedoria da vida e a resguardar só o que é essencial. E o essencial é o amor.
O amor que cheira a café acabado de fazer e a torradas servidas na cama ao fim de semana. Que cheira a gel de banho e ao cotão dos dias passados a correr atrás do deslumbramento da vida. Que cheira à carne que assa lenta em louça de barro e ao perfume ocasional a despertar-me o apetite por te pertencer.
A casa que fazemos enche-se de risadas imprevistas e silêncios recolhidos, de panelas no fogão e aspirador nos quartos. E vive em constante chamamento para a presença dos humores que a vida nos traz e leva, sem nunca se quedar vazia, porque é feita de tudo o que somos e porque os nossos sonhos nunca adormecem.
Na casa onde vivemos há discussões porque sempre se erra em algum momento. Mas há compreensão abnegada, há confiança no bem-querer e muito amar, e visita-nos, frequente, uma paixão realista e inocente que tudo esquece, tudo desvanece e tudo sabe, mais do que o ego.
Há contas para pagar. Apoquentações comezinhas. Gripes. Loiça suja. Pregamos botões, fazemos filhós de Natal, cozemos baínhas e ninguém quer levar o lixo. Discutimos política internacional, filosofamos sobre o sentido da vida, vemos filmes no sofá das noites longas, e brindamos todo o sucesso que se ponha a jeito de ser celebrado, porque nas portas há frestas que mantêm por cá uma corrente de ar de alegria.
(continua)
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