Gente, Pára o Mundo Que Eu Quero Descer!
Minha Sina com Apartamentos
Olha, eu não sei mais o que fazer da vida, mas morar em apartamento, realmente, já deu para mim! Todo santo dia tem obra no prédio; alguma serra cortando uma viga, alguma furadeira destroçando uma parede, uma bateção de martelo, marreta, picareta, micaret... (ops, me empolgay), minha cabeça já está a ponto de explodir. Aí, quando não tem obra no meu prédio, o prédio do lado, que está coladinho com o Gugu aqui, parede com parede, resolve infernizar a minha vida com uma britadeira socando o cara...cete da estrutura mestra, central, sei lá da onde. A trepidação é tão grande que, ao colocar a mão na parede, eu recebo uma massagem no corpo inteiro, de graça!
O Manicômio
Tudo começou quando eu tive de voltar a morar no Rio de Janeiro, deixando Petrópolis para trás por quatro anos. Foi a minha perdição! Encontrei um apartamento no bairro da Tijuca, um bom lugar para se morar, e me mudei. Porém (ai, meu Pai), a vida me reservava surpresas (das bem ruins).
O apartamento era bem grande, três quartos (gente, eu precisava de GPS dentro de casa de tão grande que era o imóvel), ficava no térreo e ainda tinha uma área grandinha, onde batia bastante sol. No início, tudo bem, eu comecei a me reacostumar com o Rio, visitava minha família de vez em quando, o tempo foi passando, até que uma noite...
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh!
Ouvi um grito, tipo "Horror em Amityville" da mulher que morava no andar acima do meu, que meu coração quase parou de susto. Parecia que ela estava do meu lado. Levantei correndo, acendi as luzes e fiquei paradinho (era praticamente a brincadeira da estátua) no meio da sala. Nem respirar direito eu respirava. Olhei o relógio. Gente, não é brincadeira, eu me lembro, quase 3h. Cara, eu me recordo dos filmes de terror, tudo acontecia às 3h. Mas aquilo me deu um pânico! Vocês não estão entendendo a situação!
Minha cabeça estava a mil por hora. Eu pensava em fantasma, em assombração, em todos os obsessores inimagináveis do Livro dos Médiuns de Alain Kardec, em saci pererê, mula-sem-cabeça, e em todos os demônios dos filmes de terror que eu tinha visto. Parecia que todos habitavam ali. Eu queria fazer xixi, mas estava com medo dos diabos (olha aí, tá vendo, o tinhoso em todos os lugares) de ir ao banheiro (esqueci o GPS no quarto e estava apavorado demais para me mover). Quando de repente...
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh!
Outro grito da mulher de cima! Aí, não deu mais. Corri para o quarto, deixando todas as luzes acesas, fechei a porta e me cobri (estava um calor insuportável, mas eu não quis saber). Até que, alguns minutos depois, estancou uma briga entre ela e o marido. Caraca, era móvel voando pela janela, porta batendo, prato quebrando na parede. A bruxa estava solta no andar de cima! Quase fui até lá falar com eles: "oi, vizinhos, tudo bem? Vocês podem se matar amanhã depois das 9h? É que eu preciso acordar às 5h30 para trabalhar e o homicídio de vocês tá levando muito tempo. Brigado!" Mas, eu não fiz isso, porque eles eram loucos! Enfim, quando eu percebi que não era fantasma nenhum, somente um "pobreminha conjugal", fui ver televisão. Não ia adiantar nada tentar dormir.
Notinha da primeira seção: a briga acabou com uma bela reconciliação, e vocês sabem como, não é? Pois é. Eles não economizaram na gritaria reconciliatória e eu tive de escutar tudo!
Janela Indiscreta
Um mês depois, mais ou menos em dezembro, houve um outro incidente. Não com os loucos do manicômio do segundo andar, mas com o pessoal do prédio de trás, que também ficava no terreno do meu prédio. Como meu apartamento encontrava-se no térreo, minhas janelas eram muito baixas e todo mundo que passava conseguia olhar para dentro do apartamento. Por conta disso, pensei em providenciar blackouts para as janelas e tranquilizar mais meu coração com relação aos vizinhos olhudos.
Um desses quartos era o meu escritório e, um dia, à noite (como sempre, para ter mais emoção), senti que alguém estava me observando. Olhei para a janela, estava fechada. Ainda não tinha blackout, mas não era possível olhar com nitidez dentro do apartamento. Não havia ninguém lá. Voltei ao trabalho. Uns dez minutos depois, senti o mesmo calafrio e a sensação de que tinha alguém me olhando. Dessa vez, olhei de repente e...
...AAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh havia uma cabeça colada no vidro da janela!
(Dessa vez o grito foi meu!) Corri para a sala, abri a porta fui lá ver quem era o exu brincalhão (eu estava cheio de coragem, nossa, que meda de mim). Quando cheguei nos fundos do prédio, eu vi duas crianças brincando e rindo da minha cara. Ahhh, meu sangue ferveu, e minha pombagira incorporou IIIIHHHHAAA HAHA HAHAAA HAAAA, cheia de atitude. Entrei no prédio e fui falar com o síndico, que morava no terceiro andar. "Oi, Sr. Rômulo, tudo bem? Tem como o senhor pedir para aqueles capetas pararem de colocar a cara na minha janela para me assustar?" Ele disse que falaria com a mãe deles e tudo ficaria bem.
Realmente, ficou. Os diabos subiram, mas (ai, meu Pai, tem mais) a mamãe deles (para não dizer aquela filha da p...) resolveu ligar o rádio e colocar o som nas alturas e, como eu havia dito antes, estava de noite, mas era bem de noite, ou seja, o que ela estava fazendo era proibido por lei. Eu até esperei uns trinta minutos para ver se a música parava, porém não parou. Lá fui eu de novo falar com o síndico. "Sr. Rômulo (nem dei "oi" de novo), poderia pedir para ela ouvir música com um fone de ouvido? O senhor já viu que horas são?" E, para minha surpresa, ele me respondeu: "que música?" Nossa, parecia que tinha um trio elétrico na minha janela dos fundos, que é exatamente na mesma parede do síndico, isto é, não tinha como ele "não" ouvir o auê formado. "O senhor realmente não está ouvindo, ou seu ouvido é seletivo?" Ele me olhou com uma raiva, desceu e foi falar com a piran... (ops, perdão gente) moça do som alto.
Não adiantou, acreditem. Tive de chamar a polícia e tudo foi resolvido na base da lei, com direito a ver o síndico passar a noite registrando tudo na delegacia até de manhã. Pois é, se ele tivesse feito tudo direitinho, nada disso teria acontecido.
Cenas dos Próximos Capítulos
[Cena 1] Manandezo, depois de um dia intenso de trabalho, chega em casa e percebe que há guimbas de cigarro jogadas em sua área. [Cena 2] O síndico, mais conhecido como a "bichete do 302", resolve fazer uma reunião de emergência para resolver casos pendentes. [Cena 3] Vizinhos do apartamento de cima, mais conhecido como "manicômio do 202" dão festinha de arromba e a porrada estanca na madrugada. Há feridos. [Cena 4] Piran... (caraca, gente, muita raiva dela, mas, continuando) mocinha do prédio ao lado é chamada à delegacia sob suspeita de espancamento do marido (um bunda mole).
Notinha 1: vocês devem estar pensando onde eu estava morando, não é? Olha, eu fugi de lá assim que eu pude. E era um bairro bom, imagina se fosse ruim. Meu Deus, não quero nem pensar!
Notinha 2: o título do artigo é uma frase que "azamiga usa" quando algo está bem ruim aqui no Rio de Janeiro (do jeito que o Rio está hoje, é difícil achar alguma coisa que esteja boa). Eu tinha pensado em outro título, tipo Me Larga Que Eu tô Louca do Meu..., mas achei melhor manter a coisa low profile.
Notinha 3: teremos sequência e, por favor, não percam!
Muito obrigado por sua visita, carinho na leitura e comentários!
Abraços, !
Publicação de 10 de agosto de 2017.