Após um diagnóstico de personalidade e uma autoavaliação persistente de anos, descobri-me como um ser humano incapaz de exercer trabalhos repetitivos e subjugar-me ao poder do grande capitalismo entrando em confronto ético em quase todas as grandes empresas onde assinei contrato e em situações de quotidiano onde vi os meus valores e ideais serem atacados, tentando sempre lidar com esses entraves de uma forma politicamente correta e seguindo as regras de boa etiqueta.
Descobri-me também como um incentivador humano e um catalisador de boas energias (desde pequeno os meus pais me avisavam que não era advogado de defesa quando tentava defender algo em que eu via injustiça), quero tirar das pessoas o melhor que elas têm para dar ao mundo e mostrar que de facto todos somos belos e temos o nosso valor.
Parece um discurso um bocado de sacristão, mas se funcionou com as religiões e com a maior parte das entidades pacifistas, porque não adoptá-lo?
Assim como esta questão surgiram várias outras mais profundas:
O que queres fazer antes de morrer?
Se descobrisses que morrias amanha, o que farias até lá?
O que passas demasiado tempo a fazer?
Que habito novo gostarias de adoptar?
Um relato de uma menina que tambem foi levada pela vida a criar a audácia de se questionar.
Apesar de estas questões terem surgido nos últimos anos, sempre houve uma que me perseguiu forte e constantemente:
Com a certeza da efemeridade do nosso planeta e a lentidão do desenvolvimento cientifico\tecnológico, imaginei-me como sendo o ultimo exemplar do ser humano na face do planeta e que desgraça essa... Teria valido a pena viver? Era válido ser "boa ou má" pessoa? O assombro do final da existência e a imaginação de que caminho teríamos percorrido até chegar a esse ponto depressivo afastou de mim todos os medos. Afinal os momentos são aquilo que levamos e o lema carpe diem fez mais sentido . Mas e se no entretanto tivesse um filho\a e a definição de amor fosse ultrapassada cósmica e incomensuravelmente, gostaria que fosse ele a sofrer a visão do fim da vida humana e da existência? Que pai seria eu ao permitir que tal dor pudesse ser suportada? Essa dor mataria? A dor que eu sentiria se soubesse isso seria menor. Mas e se fosse um filho\a dele\a? Sentiria a mesma dor que o meu neto\a? E se fosse um filho\a do meu neto\a? O amor traz dor, será tanta assim? Morreria capaz de deixar prolongar esta consciência e ignorava o que se avizinhava?
Esta cadeia de raciocínio pode ser continuada até ao limite que já foi dito e o porque da existência continuaria sem resposta e o transporte da sua dor e do seu amor imensurável são inevitáveis.
Como tal, e com ajuda do descaramento que fui desenvolvendo com amizades e obrigações profissionais ganhei outra força, cheguei à conclusão que a mais nobre coisa que podemos fazer é não tentar impedir que essa dor seja suportada sem a consciência de que este final nos pode esperar. Tudo bem que o pateta alegre é o verdadeiro feliz e que a ignorância é uma bênção em certos aspectos, mas não neste. Há que ter gentileza pelas outras pessoas e tratar todos os seres de forma nobre e respeitável ao máximo. Nunca esquecer que tão nobre é o padeiro que faz o pão que comemos como o juiz que rege o destino de um inocente ou os senhores da recolha do lixo ou o médico que faz cirurgias delicadas.
Um documentário que realmente é importante ver para matar a indiferença.
Com isto dito aproveito para desafiar alguns de vós que estão à frente de um computador a ler isto, ou num outro qualquer aparelho, para se lembrar que boas acções são praticadas diariamente com os animais, plantas etc. que os rodeiam, não de uma forma esporádica, mas sim definitiva. Despejar o lixo a uma idosa que mora no andar de baixo quando a virem atrapalhada ou regar as plantas do vizinho quando estão secas talvez não chegue, há que alertar o vizinho que as deve regar de forma persistente e acordar com a vizinha a melhor hora para despejar os 2 lixos (teu e dela) e poupar o trabalho à senhora. Ah, e dar moedas a sem abrigos por quem passas regularmente a caminho do trabalho? sim, embora a real ajuda será tirar uma tarde para conhecer a pessoa e encaminha-la para um centro de apoio e não custa nada procurar 10 min todos os dias para procurar trabalho na net até que a pessoa se possa orientar.
Não quero com isto dizer que devemos ocupar a nossa vida a tomar conta dos outros e não das nossas necessidades, seria hipocrisia pois eu ainda não o faço, quero sim alertar para uma consciência plural e solidaria, mas sem esquecer o entretenimento particular e social, que temos como padrão no nosso centro de recompensa e é nosso por direito. Até sou extremamente desleixado e adoro ver futebol e jogar consola com os amigos, assim como cinema, espetáculos de musica etc...
Pequeno clip visual de uma meditação que costumo fazer enquanto me questiono.
Este é o caminho que tento ter para mim, mais acentuadamente nos últimos tempos, pois somos um ser de comunidade e há que tratá-la como nossa, incluído todo o sistema planetário que nos mantém sem nunca esquecer a diversão. Para isto tenho tentado mudar também o meu centro de recompensa e a maneira como o meu corpo cria serotonina pois o principal fundamento da pedagogia é: tudo que se aprende também pode ser desaprendido.
Obrigado a quem perdeu tempo a ler isto.
Junto deixo umas músicas de algumas bandas que me preenchem o espírito porque a minha fé está na mensagem que elas passam: