Quando eu era mais nova me incomodava muito com aquele papo de vibe positiva, gratidão por estar viva e blá blá blá. Eu via as pessoas que falavam essas coisas como um bando de hippies tardios, e sendo muito sincera, eu os considerava perfeitos "bobos alegres". Afinal, com tanta dificuldade, sofrimento e responsabilidades, tanto na esfera individual como coletiva... só um idiota iria ficar romantizando a vida repetindo esse discurso infantil e alienado.
Mas hoje, depois de tantas rasteiras e voadoras, depois de tantos tombos e capotes, depois de tantas facadas nas costas e murros em pontas de facas, depois de tanto cair e recair... hoje tudo que eu mais quero perto de mim são pessoas positivas e gratas.
E mais do que isso, todos os dias eu me esforço para treinar meu olhar e meu coração, para ser esse tipo de pessoa que eu tanto admiro.
A questão é que o otimismo e a gratidão, são muito mais do que uma lente romantizada que usamos para ver a vida, na verdade são como um colete salva-vidas sem o qual a gente afunda no primeiro barco furado que a gente pega.
E quantos barcos furados já não pegamos e ainda iremos pegar? Quantos dias negros, quantas cenas toscas, quanto desespero a gente já não teve que encarar?
E quão bonita se torna a vida quando, em meio ao desespero e à angústia, é possível ver o despontar de um sorriso sincero ou de uma palavra doce e suave? A vida não só se torna bonita como sublime. Perfeita demais para ser ignorada.
Que em 2019, 2020, 2021 e em todos os anos que estivermos vivos neste mundo, possamos ser mais otimistas e gratos, para que o verdadeiro sentido da vida seja sempre visível ao nosso espírito, e que ele nunca se canse de buscar a beleza escondida no meio do nosso existir corriqueiro.
"Vejo sempre aquela faceta mais bela que se esconde atrás de um dia de tumulto" Fluxo