Ao contrário do que se ouve às vezes por aí, não existe mulher que gosta de apanhar (salvo em casos de fetiche sexual). Ninguém gosta de apanhar.
Existe sim, mulher que tem medo, que não confia na polícia e na justiça para mantê-la viva. E que prefere apanhar do que morrer.
Existe sim, mulher que foi proibida de estudar e trabalhar, que não tem como se sustentar sozinha de uma hora para outra. E que prefere apanhar do que passar fome com os filhos.
Existe sim, mulher que foi criada vendo o pai bater na mãe e acha que é normal isso num relacionamento. E que prefere apanhar do que não ter a chance de formar uma família (mesmo que no imaginário dela).
Existe sim, mulher que já foi tão rejeitada e abandonada à própria sorte por todas as pessoas que amou (incluindo os próprios pais), que aceita qualquer migalha de afeto. E que prefere apanhar do que passar mais uma vez pela dor do abandono.
Existem milhões de mulheres passando neste momento por todas essa situações (e várias outras que nem imaginamos), impotentes e desprotegidas, aceitando cada pedido de desculpas na esperança de que agora vai ser diferente, pois ele "prometeu que vai mudar".
E sem ter consciência do que está acontecendo de fato, elas se tornam vítimas do ciclo da violência, muitas vezes, muitas mesmo, girando dentro desse círculo por anos a fio. Algumas por toda a vida. É preciso de um acompanhamento sistemático com duração de vários meses para conseguir com que essa mulher, fragilizada e descrente de si mesma, entenda o que está acontecendo e possa reunir forças para lutar por uma vida melhor.
Ainda assim muitas acabam voltando para seu ex-parceiros, mas não porque gostam de apanhar, e sim porque não conseguem acreditar que podem e que merecem uma outra forma de viver.
E como prevenir é sempre mais fácil do que remediar, vídeos como esse da Day One podem ser valiosos para alertar sobre como um relacionamento aparentemente saudável se torna abusivo e até violento sem que percebamos.
Vale a pena divulgar entre as adolescentes que vocês conhecem.