Peter Singer tem a relevância que tem para a causa dos Direitos Animais e não é sem motivo.
Sua ética fundada no mais eloquente utilitarismo reconhece que, na verdade, a causa animal é antes de tudo uma causa moral, e não legal.
Assim, a abordagem que visa atribuir direitos a animais, de modo que legislações específicas nos obriguem a cumprir o respeito tão necessário a eles, não é exatamente um ponto a favor do reconhecimento público de que animais merecem nossa consideração moral. O que está em jogo são vidas reais clamando por diminuição da dor e elevação do prazer que podem experimentar. Em outras palavras, que algo esteja escrito na lei não é reflexo de uma efetivação real de tratamento digno prestado aos não-humanos. É justamente nossa convicção de que, enquanto seres sencientes capazes de sofrer, os animais são tão dignos de respeito quanto os mais vulneráveis de nossa própria espécie, o que pode salvaguardá-los de nossa principal ferramenta contra eles, que é a nossa indiferença generalizada sobre o que lhes ocorre em vida.
Assim, embora haja boas objeções contra a possibilidade do cálculo utilitarista, é apenas desafiando nossa capacidade de raciocínio moral em busca da pesagem de custos e benefícios que temos, pragmaticamente, potencial para dar respostas reais e efetivas contra a exploração de animais. A simples constatação de que merecem direitos não traz soluções. É a convicção de que os animais têm em si características moralmente relevantes, as quais podem ser quantificadas para legitimar um discurso anti-especista que os compare a nós, humanos (detentores de direitos), que em nossa própria linguagem (antropocêntrica sim, tal qual qualquer ética eficiente em nossa sociedade) pode nos obrigar, pela razão, a dar condições de bem-estar mínimo à vida daqueles que não falam a língua humana dos "direitos adquiridos", mas falam a linguagem mais comum em todo o Reino animal, que é a da dor e do prazer.