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Na educação de crianças, podemos distinguir uma educação baseada em valores com uma baseada em regras. A educação de valores dá aos jovens sentido para se comportarem adequadamente frente às situações da vida. A educação por regras, de outro modo, verticaliza o comportamento, de modo que o jovem tenha de seguir aquilo que prega o script para não "arcar com as consequências". Uma educação baseada em valores acaba moldando o caráter das crianças de tal modo que a necessidade de martelar regras acaba por acabar em algum momento da formação desses jovens. A educação por regras é atraente para ser violada — sabe como é, "proibido é mais gostoso".
Acredito ser possível fazer a mesma distinção entre "princípios" e "fins", pois é muito comum que as pessoas, principalmente pais preocupados com o futuro e sucesso de seus filhos, os eduquem a buscar sempre o melhor para eles mesmos (o que seria visar os fins de suas ações, ignorando os meios — ou, pior, "justificando os meios").
Nesses casos já vi diversos pais, como os dos meus primos, defendendo que seus filhos não devem dividir o lanche da escola com colegas porque "ninguém vai dividir com eles", só pra citar um exemplo.
Ensinar princípios, por sua vez, é dar ferramentas às crianças para que, sozinhas, façam julgamentos com algum fundamento — e não apenas porque seus pais ensinaram que a vida é assim e o importante é buscarem benefício sobre toda situação.
Neste mesmo caso, um exemplo de princípio a ser seguido é "faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem a você mesmo". A criança, tendo essa ideia em mente, saberá distinguir sozinha quando é a hora de dividir o lanche com o coleguinha, e quando não é. Se ela vê que o coleguinha é um aproveitador, ela saberá justificar não dividir com ele. Se ela perceber que ele realmente tem fome, ela pensará que deve dividir, pois gostaria que fizessem o mesmo com ela.
Com educação de mais valores e princípios aos jovens, as regras farão sentido, e os fins serão louváveis.