As pessoas que tentam nos atingir propositalmente agem devido as suas proprias frutracoes. No fundo, a questao nao e com a gente, e sim com elas mesmas. O melhor exercicio e aprender a aceitar as coisas e as pessoas como sao, por mais que possamos julgar a atitude delas como soberba, hostilidade ou arrogancia. Nao cabe a mim ensina-las. E, reagiando, alem de nao ajuda-las, acabariamos prejudicando a nos mesmos, aceitando perder a nossa paz por algo que nao leva a nada. Nem sempre e facil nao reagir. Na verdade, dependendo da situacao, e realmente muito dificil.
Admiro pessoas que cresceram em ambientes hostis e competitivos e, mesmo assim, conservaram a essência da bondade, do respeito e da solidariedade, porque, provavelmente, a essência delas tinha isso muito vivo. É muito difícil ser hostilizado e não sentir raiva. É muito difícil lidar com a injustiça. E é ainda mais inacreditável quando uma criança aprende a fazer isso sozinha, sem orientação. Mas conheço pessoas assim. E existe uma beleza nesse contraste entre o ser delas e o ambiente que as cerca. É quase como a beleza do lótus que floresce cercada por água turva devido à lama.
Vez ou outra me pego sentindo raiva quando alguém me faz algum mal ou me desrespeita. Nem sempre consigo controlar o vendaval de emoções que surge depois disso. Mas, grande parte das vezes, consigo não manifestar exteriormente as minhas emoções. E isso já é bom. Mas é melhor ainda quando consigo enxergar a injustiça e a hostilidade e a soberba de forma mais isenta emocionalmente. Sem me revoltar e até mesmo sem julgar quem age assim.
Ademais, essas pessoas nos ensinam aquilo que não pretendemos nos tornar. Quando reajimos mecanicamente, impulsivamente, as provocacoes delas, estamos nos equiparando a elas naquele momento. Quero me tornar, acima de tudo, uma pessoa melhor - o melhor que posso ser pra mim e para o mundo - ao invés de querer ser melhor do que alguém. Quero me tornar um excelente ser-humano, antes de ser um simples "bom profissional". Quero me tratar bem, cuidar de mim e do meu estado mental e emocional, porque isso é refletido diretamente na forma como eu trato o mundo. Quero buscar estar cercada por pessoas que me fazem bem, que me ajudam a crescer, ao invés de me cercar por pessoas que me façam encolher. Quero aprender a incluir essas pessoas em minhas mentalizações diárias... e aprender a enviar a elas muita positividade.
Esses indivíduos são os verdadeiros e mais cruéis capatazes de si mesmos. E não deve ser fácil pois precisam estar consigo mesmos 24h. É quase um dever aprender a me separar da negatividade delas e poder, porque não, sentir compaixão. Quero aprender a cuidar dos meus pequenos problemas, pois sei que os grandes problemas, quase todos, costumam nascer pequenos. Nós é que alimentamos e deixamos que o mundo alimente, até perdermos o controle sobre eles. Quero aprender a me dedicar às pessoas que me cercam, cultivando cuidados, sem a necessidade de esperar colher gratidão.
Quero aprender a me calar toda vez que o que eu for falar puder, de alguma forma, ofender alguém. Haveria menos vozes nesse mundo se soubéssemos, de fato, quantas vezes as nossas palavras são mal-interpretadas. Quero aprender a confiar nas vibrações que sinto, pois a energia que emitimos diz muito sobre nós mesmos. Quero aprender a cultivar apenas o bem. Sei que, quando eu estiver no final da vida, é isso que contará mais. O que deixei de bom para o mundo, ao invés do que o mundo me proporcionou de bom... pois os momentos de desfrute pessoal morrerão junto comigo. Já o que eu terei deixado como HERANÇA no dia a dia para as pessoas que me cercam, continuará reverberando por um tempo, até mesmo após a minha morte.
Hoje em dia, não sei mais se vim a esse mundo para correr desenfreadamente atrás dessa tal felicidade de que tanto falam, independente do meio que eu poderia tentar utilizar para atingi-la - realização pessoal, profissional, financeira, na relação amorosa ou sei lá o que mais - não... Isso só geraria a criação de planos atrás de planos, autocobranças atrás de autocobranças e expectativas atrás de expectativas. Estou aqui, nesse mundo, de passagem. Não temos muito tempo. Quero viver com intensidade. E viver com intensidade exige que não sigamos caminhos pré-estabelecidos. Viver com intensidade exige abrir caminho e descobrir o percurso a cada passo. Não quero espalhar ou cultivar mentalmente a ideia de que é preciso que sejamos pessoas melhores a cada dia. Isso é inútil. Quero viver, na prática, essa possibilidade. Quero me abrir para a vida e deixar que ela siga o seu percurso, aprendendo com ela a cada tropeço. Tenho sentido que o meu destino e a minha missão nesse mundo não me pertencem e nem estão em minhas mãos. E a vida tem que conduzido espontaneamente a lugares, dentro e fora, que fazem sentido. A vida se encarrega de mostrar o caminho. A mim, basta estar atenta e corresponder a isso da melhor forma que posso, a cada momento.