Há uma coisa que me preocupa, desde muito tempo: a mania de dar palpites, principalmente em relação às coisas mais difíceis.
A qualquer um que faça uma análise crítica quanto à nossa realidade, verá que, infelizmente, herdamos esta terrível cultura de nosso país. Qualquer pessoa fala de Política, Economia, Filosofia etc... mas, quem, realmente, busca ter um mínimo de aprofundamento em relação ao assunto antes de falar?
Aqueles que deveriam falar, pouco falam, pois reconhecem a sua pequenez, entretanto, aqueles que deveriam se calar, falam sobre tudo, absolutamente tudo! E, pior, se acham os grandes mestres do conhecimento!
Ademais, também temos um outro problema bastante interessante, e que demonstra uma verdadeira inversão de valores: a tirania dos acadêmicos.
Explico-vos. O título universitário é uma coisa que, por si só, não vale nada; o título só serve como "ferramenta" para mostrar que o indivíduo tem um conjunto de conhecimentos. Assim sendo, um bacharel em Contabilidade deve ter os conhecimentos relacionados ao título, mas não quer dizer que pelo mero fato de ter o título os conhecimentos brotarão como que por geração espontânea. Não!
Também não é estritamente necessário que, para uma pessoa ter conhecimentos de determinada ciência, ela tenha de ter um título universitário qualquer. Até porque, se fôssemos apelar para tal tirania universitária, em que somente os acadêmicos possuem conhecimento, como, então, teria surgido o primeiro bacharel? Ora, ele não poderia ter surgido do nada: ou ele foi autodidata e formou o próprio título, ou, então, alguém deu a ele o título, mesmo sem ter qualquer título.
Não retiro o valor dos títulos universitários, até porque almejo ter um, mas reconheço que, sem os conhecimentos que devem vir juntos com o título, o mesmo seria apenas vaidade.
Não transformemos nossos título universitários em meros títulos de nobreza... façamos valer o nosso título, não só com nosso conhecimento, mas também reconhecendo a nossa falta de conhecimento.