Desde que entrei no Steemit queria escrever algo sobre Nietzsche, mas sempre relutei por atualmente ele ser um filósofo “modinha” no Brasil e não gosto de embarcar “nessas ondas” de modismo. Mas ultimamente tenho visto muitas postagens errôneas acerca de sua Filosofia, seja fora ou até mesmo aqui no Steemit.
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Uma coisa que as pessoas sempre esquecem, e, é uma das primeiras coisas que aprendemos em um curso de Filosofia (acredito que em outros também), é analisar o contexto histórico do autor, sim, isso é necessário, eu não posso por exemplo, julgar Aristóteles comparando sua Filosofia aos dias atuais, sendo que ele viveu aproximadamente há 2500 anos.
Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900), alemão, seu pai e bisavô eram pastores protestantes. Aos cinco anos ficou órfão de pai, sendo criado pela mãe, irmã e duas tias (talvez seja esse o grande motivo de fazer críticas severas ao sexo feminino em algumas obras).
Em sua juventude, almejava seguir os passos do pai e se tornar pastor, se formou em Filologia e continuou seus estudos teológicos. Para quem não sabe, Filologia é o estudo de textos e documentos antigos para estabelecer o uso e a evolução da linguagem, Nietzsche conseguia estabelecer um jogo de palavras como poucos o fizeram na história.
Se tornou professor de Filologia na Universidade da Basileia, mas teve que abdicar da vida acadêmica por um tempo para ingressar no serviço militar.
Era amigo do compositor Wilhelm Richard Wagner (1813-1883), amizade que não durou muito, pois, em algum momento Nietzsche percebeu seus ideais antissemitas e sua conversão ao cristianismo, o que para Nietzsche era uma fraqueza, cortou relações, inclusive escreveu um livro com duras críticas ao compositor, livro denominado de: “O caso Wagner”.
Com este breve contexto acerca do filósofo, vem a pergunta, mas ele disse que deus está morto por ser ateu? Não, em nenhum de seus livros, cartas ou em qualquer escrito, nunca afirmou ser ateu ou cético, poderia até ser, mas nunca afirmou, e, se não há tal afirmação do próprio, quem sou eu para denominá-lo.
O problema de Nietzsche era o cristianismo, principalmente o conceito de moral, o bem e o mal, acerca desse tema escreveu dois livros, “Além do Bem e do Mal” e Genealogia da Moral”, este último, de extrema complexibilidade, passei meses lendo e relendo para tentar entender, e, até hoje, quando leio algum trecho, me surpreendo com algo que deixei passar.
O nome do livro já dita o que o autor quer, buscar na “fonte” o conceito moral, para desta forma fazer duras críticas aos cristãos:
A aristocracia sacerdotal tomou para si o conceito de pureza, o homem puro é o que é limpo, tem medo de sangue e não se deita com mulheres de classes mais baixas. Já de início existe algo malsão nessas aristocracias sacerdotais. (NIETZSCHE, 2009). (Malsão = algo ou alguém em mau estado ou de saúde precária).
Nietzsche utiliza-se geralmente do contexto histórico da linguagem, o que leva muitas pessoas ao erro de entendimento, pois se não há um estudo acerca de autores da Filosofia anteriores a ele, muito deste entendimento se perde.
Da mesma forma que pegar uma única frase e utilizar-se dela para fazer críticas é no mínimo insensato, graças a essa descontextualização, as obras de Nietzsche foram “barradas” da academia filosófica durante décadas, pois Hitler e seus seguidores, utilizaram o conceito de "übermensch" (o homem além do homem), para conceituar sua teoria de raça superior alemã.
Como dito antes, todo o problema de Nietzsche era apenas a religião, o cristianismo especificamente, pois para o filósofo, tal doutrina causava malefícios à sociedade, por exemplo: a maioria dos cristãos não faz o bem por que gosta, mas sim por imposição ou medo, medo de ser mau e queimar eternamente no inferno, portanto esta é uma falsa moral, hipocrisia na verdade.
A ideia de existir uma vida além desta é outro tema que recebe críticas, pois faz com que as pessoas apenas aceitem suas mazelas neste plano, pois afinal, quanto maior o sofrimento em vida terrena, maior a recompensa no paraíso.
Para Nietzsche, não fazia sentido uma pessoa, o cristão no caso, negar os prazeres mundanos, dizia: “Qual o sentido da vida se vives ameaçado por punições?”
Por fim, Nietzsche não faz uma crítica direta a deus e nem “causa” sua morte, apenas ilustra como o “ser cristão” matou deus, justamente por sua hipocrisia, a hipocrisia que até hoje persiste em vários religiosos, o fato de não agir conforme o que prega, e, principalmente a “domesticação” religiosa, que não ensina o homem a ser bom por natureza, mas sim, fazer coisas boas com medo de uma punição divina.
Referência Bibliografica:
NIEZSTCHE, Friedrich Wilhelm. Genealogia da moral: uma polêmica; tradução, notas e posfácio Paulo César de Souza. — São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
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