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Como explanado no outro texto Link, a palavra “mito” vem sendo mal utilizada no Brasil atualmente, já que hoje em dia o “mito” é sinônimo de virilidade, ostentação de narrativa e argumentação. Mas na verdade a origem da palavra vem do grego, “mythós” que significa nada mais do que uma narrativa ou discurso, o ouvinte acreditando ou não.
Nesse contexto, a fé e a crença podem ser consideradas “mito” ou “mitologia”, já que as histórias dos deuses e da criação do mundo por eles é fantasiosa, ou, pelo menos, até a presente data não é comprovada empiricamente. Vou ilustrar resumidamente dois exemplos. Vejam bem, não quero afrontar a crença de ninguém, apenas explanar fatos.
Na mitologia grega, Cronos, o titã senhor do tempo, odiava seu pai, Urano o Céu, atendendo ao chamado se sua mãe Gaia, a Terra, fizeram uma tocaia para matar Urano. Gaia havia forjado uma foice do mais puro aço, a deu para Cronos e quando Urano foi envolver Gaia, Cronos segurou-lhe o pênis com a mão esquerda e utilizando a foice dentada que sua mãe lhe dera, decepou-o com a mão direita, jogando-o para trás.
Do seu órgão que ainda ejaculava, próximo à ilha do Chipre, nasceu uma virgem: Afrodite (Sexo, há controvérsias) de beleza estrondosa.
Há também a mitologia judaico-cristã que diz: Deus criou a Terra e o Universo em seis dias, em algum desses dias (não lembro qual), ele criou o homem do barro (Adão) e de uma de suas costelas criou a mulher (Eva), os dois viveram muito tempo no paraíso até o dia que uma “cobra falante” enganou Eva e Deus os expulsou do paraíso, gerando assim o pecado original.
Isso é a parte mitológica das religiões, pois se tratam de crenças e, por mais que digam hoje em dia que há um fundamento científico nesses mitos, eles são apenas mitos, pois foram passados durante gerações de maneira simplista e fantasiosa em contraponto da realidade.
Mas a religião em si, não pode ser tratada como mitologia, pois a religião não é apenas a crença ou a fé que algo transcendente exista, a religião é baseada inicialmente em uma instituição que segue devidos rituais e tem o seu código moral e de conduta, como por exemplo a religião judaico-cristã, ambos seguem os dez mandamentos, a história por trás de sua criação pode ser considerada um mito, mas é um código de conduta existente, que é aceito pelos seus seguidores e é um tipo de manual de conduta ética e moral que todos devem seguir (ou deveriam), essa parte não é considerada mito.
Como também os rituais, a Igreja Católica possui o batismo, a primeira comunhão, a eucaristia e alguns outros. Há também os sacrifícios que várias crenças seguiam (inclusive a judaico-cristã com Moisés), festividades pós colheitas boas, enfim, todos esses rituais não se caracterizam como mitos, mesmo que sua origem fosse baseada em uma mitologia.
Por fim, a única forma de diferenciar ou separar a religião da mitologia é pelo lado dos rituais e dos códigos seguidos e existentes, a crença, é apenas para quem tem fé, como dizia Agostinho:
"Não se pode tentar compreender para acreditar, tem que acreditar para compreender”.
Parte deste texto foi retirada de: A guerra entre o Céu (Urano) e o Tempo (Cronos)