Antes de mais nada, quero deixar claro que a função deste texto não é fazer apologia ao socialismo ou qualquer outro sistema, até porque, penso que o socialismo puro não é o melhor sistema, mas sim, uma junção de ideias e ideais acerca deste e de outros sistemas.
A intenção deste texto é, tentar minimizar de alguma forma os danos causados pelo senso comum a uma teoria fundamentada e baseada em estudos de séculos, esse senso comum, não causa danos apenas ao socialismo, mas a qualquer estudo, tese ou hipótese que possa vir a ser uma ameaça aos detentores do poder e os detentores do capital de alguma forma, para isso eles se utilizam da grande massa enquanto os despojam, pois uma mentira contada inúmeras vezes, em determinado momento, acaba virando verdade.
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Legenda: Você deve esperar que este jogo termine logo.
Os ricos farão de tudo pelos pobres, menos descer de suas costas. ― Leon Tolstói.
Um erro comum e constante é citar Marx como sendo o pai do socialismo, Marx é o pai do marxismo, corrente baseada no socialismo mas com algumas diferenças entre suas vertentes.
Fazendo um breve esforço cognitivo, encontramos já na Grécia Antiga uma breve base sobre o conceito de socialismo, onde no livro “A República” de Platão, já eram discutidos temas como justiça e principalmente ética política. Aristóteles em seu livro “Política” diz que: a política é a ciência que possui o objetivo da felicidade humana, seja ela individual ou da pólis (cidade, no caso a sociedade geral).
Entre o século IV e V, Agostinho de Hipona (que é considerado santo pela igreja católica) já nos dava um reforço teórico para o que poderia vir a ser o socialismo. Para ele, o poder do Estado deve ser de prestação de serviço à sociedade, e, este poder tem o objetivo de justiça (social), fundamentado no amor, pois para ele, a paz em sociedade é a última aspiração de todos os homens, inclusive os maus.
Pulando para o século XVIII, Jean-Jacques Rousseau já defendia a extinção da propriedade privada quando diz que: “O homem nasce bom mas a propriedade o corrompe. É um contratualista que defende a criação de uma legislação que defenda o direito de todos, pois para ele, a partir do momento que vivemos em sociedade não somos mais indivíduos, mas sim, cidadãos.
Pouco após a Revolução Francesa, no final do século XVIII e início do XIX surge o socialismo utópico baseado nas teorias do Conde de Saint-Simon, ele dividia a sociedade em dois setores, os produtores o os ociosos, para ele, as empresas capitalistas poderiam e deveriam existir, mas para tal deveriam assumir responsabilidades sociais com a classe trabalhadora. Outros dois autores também escreveram sobre o tema: Robert Owen e Charles Fourier.
No século XIX surge Karl Marx e Friedrich Engels com o marxismo, este modelo é o que mais incomoda os detentores do capital e do poder, por se tratar de um socialismo científico, ou seja, baseado em estatísticas e fatos históricos. A ideia era se distanciar do socialismo utópico, pois não era a intenção do proletariado doar os seus bens para construir uma nação ideal, e, sim, fazer uma “Revolução do Proletariado”.
Eles dividem a sociedade em partes, no que denominaram de “metáfora do edifício”, onde esse edifício possui a infraestrutura e a superestrutura, no marxismo atual existem mais divisões nesse edifício, mas vou me prender a teoria marxista de base.
Na infraestrutura, ou na base, se encontram os proletários, é aqui onde tudo se produz e, segundo Marx, a estes tudo pertence, na superestrutura está a burguesia, políticos, clero, etc, que nada produzem, apenas determinam regras e recebem os lucros da produção do proletariado. Com isto, define-se o conceito de mais-valia, que basicamente é o excesso de ganho de capital da classe burguesa em relação às despesas com os trabalhadores.
Com esta breve contextualização, é preciso alertar a outro erro comum por parte das pessoas, o fato de dizer que modelos socialistas empregados em diversos países não deram certo. Ora, para quem já leu obras acerca do tema, conseguirá entender facilmente que nenhuma nação neste planeta foi deveras socialista, quem o faz, é quem nunca leu sobre e fica preso às opiniões alheias do senso comum que, na maioria das vezes, já são opiniões de outros e de outros, e se buscarmos os fundamentos deste “telefone-sem-fio”, nunca ou raramente chegaremos a algum sujeito que se fundamentou em base teórica.
Por último, o equívoco que, a meu ver, é o mais crasso de todos, é dizer que adeptos do socialismo devem e tem que viver sem o uso do capital e não podem ter bens materiais, pois partindo de premissas básicas, chega-se a conclusão que: se o trabalhador tudo produz, a ele tudo pertence. Portanto quem não deve e não pode possuir bens materiais ou capital é quem nada produz, ou seja, burguesia, políticos, clero, etc.
Vale ressaltar ainda que, quem defendeu viver em extrema pobreza, sem aquisição de bens materiais e em não-função do capital, foi Jesus Cristo, quando diz: “dai a César o que é de César”, ou seja, o capital, e, eu não vejo a sociedade como um todo combatendo a ganância dos líderes cristãos com a mesma veemência que combatem os socialistas.
Relembrando que a finalidade deste texto não é a defesa do socialismo, mas uma breve análise histórica feita por alguém que já se debruçou sobre inúmeros livros do tema, mas mesmo desta forma, não me torno detentor de nenhuma verdade, apenas explanei meu ponto de vista, claro que neste, vem embutida a minha construção social e com isto é difícil não valorar certos temas.
A maior problemática que vejo nisto tudo, é que graças a este senso comum danoso, deixamos de analisar em sociedade, contextos que poderiam ser a solução para os problemas, ou, pelo menos, alguma base para as soluções, tendo em vista que os sistemas econômicos e financeiros mundiais, não suprem as necessidades da maior parcela da população.
Por fim, quero deixar um questionamento de reflexão interna para cada leitor. Por quê os maiores críticos do sistema socialista são os maiores países capitalistas? Da mesma forma que, os maiores críticos da Teoria da Evolução das Espécies são os religiosos mais gananciosos, ou, os maiores críticos do aquecimento global são países, instituições ou pessoas que se beneficiariam com uma não-crise energética ou ambiental.
Seriam estes perseverantes defensores da melhora do bem-estar da sociedade mundial, ou seriam eles apenas defensores dos seus próprios interesses como a manutenção do poder e do capital?
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