Quando um bebê nasce, alguém mais experiente vem e diz que a fase de recém-nascido é a mais difícil, seguida daquela frase clássica para tudo na vida: “Mas logo passa!!!”. E passa, naturalmente. Mas o bichinho vai crescendo, tem as cólicas, os dentinhos, o engatinhar, os primeiros passinhos e ufa! Todas estas fases são punks e maravilhosas ao mesmo tempo porque principalmente quando se tem o primeiro filho, são experiências novas e que nos desafiam o tempo inteiro.
Eu passei muita barra pesada com a minha filha e apesar de eu sempre ter sido uma pessoa positiva e que geralmente só vê o lado bom das coisas, pedia todas as noites para que o tempo passasse logo e ela crescesse, porque de fato, a maternidade é muito difícil.
Minha filha agora está com dois anos e meio e esta é a primeira fase real em que estou lidando com o embate da educação, o dizer um NÃO bem alto e não ser ouvida, em alguma das vezes. Com o excesso de informação acabamos tendo um conteúdo extenso sobre as maneiras corretas de educar, sobre Montessori, sobre Disciplina Positiva, sobre as palmadinhas serem uma maneira certa ou não de ensina, etc. Fico perdida neste mar de informações e acabo aplicando uma coisa ou outra que aprendo por aí, mas sempre fico com aquela pulga atrás da orelha me questionando se estou fazendo tudo errado ou não. Como e quando vou saber?
É uma fase de provações, de egoísmo e muita, mas muita birra. Não gosto de admitir que minha filha carrega um comportamento um pouco mais difícil do que eu esperava, mas claro, eu não esperava parir um anjo, só me sinto frágil ao tentar moldar um ser humano à minha idealização num mundo completamente difícil.
Eu não gostaria de expô-la à TV e programas toscos infantis, mas cedi porque às vezes preciso fazer uma refeição correta ou ir ao banheiro em paz. Não gostaria de ter oferecido chocolatinhos e balas antes dos dois anos, mas acabei cedendo também. Resumindo: a maternidade é um constante meme do Facebook sobre expectativas e realidades.
Dizer um “não” a um ser que mal conhece a realidade em que está presente dói demais, mostrar que isso pode ou não ser feito às vezes fica claro que a criança ainda está num modo totalmente abstrato da vida em que uma regra simples chega a ser bizarra para ela. Mas tem que ser feito, de um jeito ou de outro e esse é o meu papel.
Por isso posso dizer com toda a certeza do mundo que não existe nenhuma experiência terrena que nos faça crescer mais que ter um filho, porque ao mesmo tempo em que estamos ensinando do zero um pequeno humaninho, estamos também aprendendo e crescendo como grandes pessoas. Nos faz voltar ao zero também e ter uma empatia tão grande ao ponto de termos que nos reconectar com nossa infância para poder resgatar nossa criança interior.
E pensar que estou só no comecinho...
Obrigada por ter lido até aqui. Abraços, Carol! <3
Imagem: Duane Bryers, 1911.