Li todo ele em poucos dias, o que me ajudou bastante em todo o processo da gravidez, já que na época morávamos num sítio e não tínhamos Internet e não tinha muito com quem conversar sobre meus anseios de primeira viagem...
Lembro que no decorrer da leitura, um trecho me chamou a atenção pois falava sobre o "instinto de aninhar" da futura mãe principalmente na reta final da gravidez. O ato de "aninhar" não refere-se apenas ao alento, ao amor, à amamentação quando o bebê nasce mas, literalmente, ao "preparar o ninho" para a chegada do filhote. Este instinto está presente em praticamente todas as fêmeas do mundo animal e claro, como somos autênticas mamíferas, está presente em nós também.
Quando era criança, lembro de que quando uma vaca do sítio ia parir, eram dias ansiosos e cada movimento do animal era motivo de curiosidade para saber se tinha chegado a hora ou não. Lembro que antes de dar a luz, elas ficavam impacientes, inquietas e procurando algo pelo campo até chegar em um lugar e ali fazer o que a Natureza havia lhes renomado.
Nascimentos são sempre uma chance de recomeçar.
Quando estava de 38 semanas e 5 dias de gravidez (já nos nove meses), precisamente, lembro de levantar de manhã cedo com uma energia sem igual, eu estava alegre, leve e com um sentimento maravilhoso. Era uma ansiedade boa, que rendia aqueles calafrios de bem-estar quando estamos diante de um acontecimento maravilhoso.
Eu não havia terminado de arrumar todas as coisas para receber minha filha, o que me fez ir correndo para terminar de organizar, lavar as roupinhas, passar, arrumar a mala da maternidade, enfim... Preparar meu ninho. Lembro que fiz tudo o que não seria recomendado para uma grávida com aquele barrigão fazer: erguer peso, arrastar sofá, guarda-roupa, berço, erguer balaio com lenha (eu secava as roupinhas dela no fogão a lenha), ia para lá e para cá numa pressa instintiva, sentia algo diferente.
Então, no final daquela tarde, a bolsa rompeu e eu entendi que tudo aquilo fazia parte daquele instinto maravilhoso: Eu estava preparando meu ninho, eu estava procurando meu lugar para, finalmente, me entregar ao destino que a mãe Natureza me proveu e fazer desta tarefa o sentido da minha vida. <3
Obrigada pela leitura. Abraços, Carol! <3